Mostrando postagens com marcador referência. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador referência. Mostrar todas as postagens

sábado, 6 de março de 2010

Las mil y una curiosidades del cementerio de la Recoleta

Las mil y una curiosidades del cementerio de la Recoleta
Diego M. Zigiotto (Grupo Editorial Norma, 2009)

Tudo começou com a avó da Fernanda, que conta a seguinte história: ainda mocinha, numa excursão para Buenos Aires, ela teria visto o corpo embalsamado de uma menina, vestida de branco, num mausoléu do cemitério da Recoleta. Há alguns anos, o Edu e a Fê estiveram lá e não encontraram nem rastro da garota - nem da história. Eu também já tinha visitado o lugar e o máximo que vi foi o túmulo de Evita, além de algumas sepulturas bem bonitas, com esculturas interessantes e ares art déco.

Em dezembro, estive em Buenos Aires outra vez - um pouco antes do Edu e da Fê, que voltaram para lá em janeiro - e botei na cabeça que ia tentar descobrir o túmulo da menina embalsamada. Acabei nem tendo tempo de visitar o cemitério, mas logo no começo da viagem (e de um périplo por livrarias em busca por livros sobre Xul Solar) encontrei este Las mil y una curiosidades..., que, certamente, tiraria nossa dúvida: a garota que a avó da Fê viu ainda estaria ali, embalsamada?

Não está. Pode ser que ela tenha visto a estátua de Luz María Garcia Velloso, a "dama de branco", uma menina que morreu de peritonite aos 14 anos, em 1924. Segundo o livro, a mãe de Luz, desesperada, chegou a dormir dentro da cripta, junto à estátua da garota, que foi retratada de branco, deitada sobre um leito de rosas.
Sou do tipo que gosta de visitar cemitérios, principalmente em viagens. Não vejo nada de sinistro neles. E, em minha próxima vez em Buenos Aires, espero prestar minha homenagem à dama de branco.

domingo, 18 de outubro de 2009

Dicionário de mitologia

Dicionário de mitologia
(Best Seller, 2000)

Quando precisei procurar algo a respeito de Procrustes (Procusto, em português) para escrever sobre At large and at small, da Anne Fadiman, tinha certeza de ter, aqui em casa, o Dicionário mítico-etimológico do Junito de Souza Brandão. Que nada. Tenho é essa versão chatinha - embora, acredito, correta - que trata de personagens, lugares, plantas, festas e quetais relacionados à mitologia.

Eu só não entendo por que o principal texto a respeito de, por exemplo, um deus antigo, aparece no verbete de seu nome romano, e não do muito mais conhecido nome grego (bem, eu fui criada na mitologia de Monteiro Lobato, pra quem havia Zeus, Palas-Atena, Hera e Ares, e não Júpiter, Minerva, Juno e Marte) - embora haja remissões de um termo para o outro. De qualquer forma, não é um livro para aprender, com prazer, sobre as lendas da Grécia e de Roma Antigas, já que os verbetes são redigidos de uma maneira direta e didática; melhor usá-lo mesmo para consultas pontuais. O que me leva a tentar procurar, aqui em casa, o primeiro volume do As mais belas histórias da Antiguidade Clássica, do Gustav Schwab (o volume dois é tratado aqui). Esse, sim, fala sobre mitos com o respeito devido à literatura.

sábado, 24 de janeiro de 2009

The fashion book

The fashion book
Phaidon Press, 2008

Estilistas, chapeleiros, fotógrafos, modelos, ícones, joalheiros, alfaiates, ilustradores, cabeleireiros, sapateiros, designers de tecido, criadores de cosméticos. De Coco Chanel a Kurt Cobain, de Cindy Crawford a Paul Poiret, de Ralph Lauren a Helena Rubinstein. Todo mundo que importa ou já foi relevante para a indústria da moda desde meados do século 19 até o final dos anos 90 está aqui (a edição é recente, mas o material não é; de Gisele Bündchen, por exemplo, não há nem sinal de fumaça, e ninguém fala da criação da Marc by Marc Jacobs, em 2001. Mas são poucas ausências notáveis).

Compilados em ordem alfabética e sempre acompanhados de belas fotos ou ilustrações, os 500 verbetes trazem alguns dados biográficos básicos do sujeito em questão e um pequeno apanhado de sua importância fashion. Christian Dior inventou o new look, Azzedine Alaïa instituiu o stretch, Diane Von Fürstenberg amarrou as mulheres nos wrap dresses. São informações relevantes? Bem, eu vivo de informações, conheço seu valor e sei o quanto fazem diferença pra gente se sentir melhor, seja ao se vestir, ao sair pra ver um filme, ao entrar na cozinha ou pegar um livro pra ler. Portanto, pra quem gosta de se sentir confortável na própria pele - e isso inclui o que vai sobre ela -, acredito que sim, são informações relevantes (e olha que nunca vou comprar uma pecinha sequer de Stella McCartney, Yohji Yamamoto ou Christian Louboutin). Além disso, o livro está cheio de fotos belíssimas e de figuras muito interessantes. Já fiquei com vontade de procurar as biografias de Cecil Beaton, de Richard Avedon e de Estée Lauder, a fabricante do perfume que eu uso há mais de dez anos.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

O mundo de Viagem e Turismo

O mundo de Viagem e Turismo
(Editora Abril, 2008)

Meu amigo diz que não viaja porque tem preguiça. Dá preguiça, mesmo. Fazer mala, enfrentar o aeroporto, a fila do check-in ou da PF, chegar cansado, descarregar tudo... Mas nem eu, que pago pra ficar encostada, deixo de viajar por causa disso - e volto sempre estourada de tanto andar pra cima e pra baixo, percorrer museus e lojinhas, mais magra de tanto caminhar. Pra quem precisa de inspiração, esse livro é um achado: traz uma bela foto e um texto superbásico sobre cada um dos 192 países membros da Onu.

2008 foi um ano de recolhimento - com exceção das duas primeiras semanas de janeiro, acho que não saí de São Paulo nenhuma vez. Gostaria que fosse diferente daqui em diante. Muitas viagens me esperam, por mais que, por enquanto, eu me arrisque apenas nas também importantes viagens verticais. Quero convencer alguém a partir comigo para um lugar bem bizarro, como a Capadócia ou a Islândia. A Ilha da Madeira. Zanzibar. Talvez ir a Belém para comer o tacacá da dona Maria. Desafiar os mosquitos e me hospedar num hotel de selva na Amazônia. Até que enfim conhecer Porto Alegre, de preferência durante a Feira do Livro. Aproveitar. E gastar minhas milhas para ir à Ilha de Páscoa (eu até já sei o que significa tingo), o lugar mais isolado do planeta. Como não querer conhecer o lugar mais isolado do planeta? Eu vou.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

The new Food Lover's Companion

The new Food Lover's Companion
Sharon Tyler Herbst e Ron Herbst (Barron's, 2007)

Sou chegada num dicionário. E num livro de cozinha, mesmo que estrangeiro (de preferência em inglês; até consigo intuir o francês e o italiano, mas melhor não arriscar). Logo, gosto bastante de dicionários de cozinha. Esse Food lover's companion - que tenho com outra capa, bem mais interessante que a da foto - é uma delícia não só para consultar em caso de dúvidas quanto a nomes de ingredientes, técnicas e vinhos mas também para ler... como literatura mesmo. Sim, existe louco pra tudo.

Já disse que livros de culinária são, para mim, um respeitável gênero literário. Escrever receitas não é tão fácil quanto parece. Nem definir, em termos compreensíveis e elucidativos, milhares (são mais de 6700 verbetes) de temperos, tipos de queijo, técnicas de cozimento, ingredientes em espanhol, italiano, japonês, francês, bebidas e produtos variadíssimos, de algas a tomates. É evidente que minha intenção não é decorar o dicionário, nem posar de bacana quando alguém fala em pirogi, molho rémoulade ou eggnog. Mas lendo uma entrada aqui, outra ali, acabo aprendendo várias coisas. Assim eu já sei que, quando voltar à França, vou comer um clafoutis de pêssego. E que quando estiver no México, bastará uma enchilada para matar minha fome.

domingo, 9 de novembro de 2008

Panati's extraordinary origins of everyday things

Panati's extraordinary origins of everyday things
Charles Panati (Harper USA, 1989)

Não tenho quase nada contra as livrarias brasileiras. Mas poucos lugares me deixam mais feliz do que uma livraria grandona americana, seja a Strand, a Barnes & Noble, a Borders - ou mesmo uma pequena loja com cara de filme antigo, como a Olsson's, em Washington DC. Meu grande prazer é me enfiar entre as estantes e passar uma tarde inteira, se necessário, vendo livro por livro de assuntos como culinária, moda, viagens, referência. Às vezes é tanta possibilidade que a escolha se torna impossível: diante de uma estante até o teto com biografias de John Kennedy na Strand, em janeiro, acabei saindo de mãos vazias.

Foi numa dessas incursões que encontrei esse Panati's extraordinay origins of everyday things. Inútil? Talvez. Quem é que precisa saber como surgiram os Kleenex e os esmaltes de unha? As Barbies e os abridores de lata? Mas uma boa parte de mim adora cultura inútil, e teima em acreditar que, um dia, essas informações encontrem, afinal, utilidade no que eu escrevo. E o Panati's não se limita a estabelecer a origem de objetos como papel higiênico, máquina de costura e talheres. Trata também de costumes natalinos e casamenteiros, fábulas infantis, superstições e maneiras à mesa. Outro dia mesmo eu impressionei dois interlocutores contando a história do trenchcoat. E nem foi no Panati's que aprendi!

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Dicionário de suicidas ilustres

Dicionário de suicidas ilustres
J. Toledo (Record, 1999)

Tá, é bizarro. Mórbido. Freak. Doentio. Mas suicídio - o tema - me atrai muito. Se tem gente disposta a escrever sobre o assunto, eis-me aqui disposta a ler (estou ansiosa pelo lançamento de Suicídio - O futuro interrompido, da jornalista Paula Fontenelle, que deve sair por esses dias). Uma das atitudes mais comuns diante de gente que se matou é dizer "um covarde". O escambau! Estar ali, à beira da morte, e decidir-se por ela, é coisa de uma coragem sem tamanho.

Então essa obra de J. Toledo é uma excelente referência a respeito, com duas características muito bacanas e outras duas questionáveis. As bacanas: a inclusão de personagens de ópera e literatura (e como tem figura cantante que se mata!) e a identificação da bibliografia correspondente logo abaixo de cada verbete. Por outro lado, a maior parte dos "suicidas ilustres" é, na verdade, formada por ilustres desconhecidos - como o francês François Buzot (século 18), o inglês Charles Blount (séc. 17), a brasileira Elsie Houston (começo do século 20), o inglês Barney Barnato (século 19). E, por fim, Toledo inclui entre os suicidas gente como Marilyn Monroe, Chet Baker e Linda McCartney, que morreram sem que se saiba exatamente se foi de caso pensado ou não.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Gray's anatomy

Gray's Anatomy
Henry Gray (Barnes & Noble, 1995)

Ganhei do meu irmão esse fac-símile que a Barnes & Noble lançou do Gray's anatomy de 1901, então na 17ª edição. Adorei; acho o corpo humano fascinante e cada descoberta sobre ele me faz querer saber mais. E, embora eu também concorde quando Arnaldo Antunes diz que "o corpo ainda é pouco", sua capacidade de adaptação surpreende: é bacanérrimo saber que, se eu perder o baço, outros órgãos começarão a produzir anticorpos - mas isso eu aprendi em outro lugar.

Ontem eu peguei o Gray's anatomy, como faço de vez em quando, dessa vez pra ler sobre o fígado. Li por pelo menos meia hora até perceber que não estava prestando a menor atenção. "Na parte anterior ele é assim, na posterior é assado... O lado direito faz isso, o esquerdo faz aquilo..." Não tenho nenhum problema hepático. Na verdade, queria saber sobre o fígado real pra tentar entender o figurado.

domingo, 5 de outubro de 2008

O livro dos amuletos

O livro dos amuletos
Gabriela Erbetta e Michelle Seddig Jorge (Publifolha, 2004)

Eu era criança e me lembro de ver, pela casa, um broche enorme de balangandãs de prata que minha mãe ganhou do meu pai quando ele foi à Bahia. Quando vim morar sozinha, coloquei um potinho cheio de sal grosso e uma cabeça de alho perto da porta de entrada do apartamento. E, todo fim de ano, eu guardava uma folhinha de louro ou sementes de romã na carteira - dizem que atrai dinheiro.

Não acredito em nada disso, pero que las hay, las hay. É difícil ver alguém que não carregue consigo algum tipo de amuleto ou que não siga alguma superstição. Esse livro tem fotos coloridíssimas e um pequeno texto explicativo sobre o significado - ou o suposto significado - de objetos como pé de coelho, crucifixo, figa, carranca, bonequinhos japoneses. Alegre e inofensivo.

domingo, 10 de agosto de 2008

Assim morreram os ricos e famosos

Assim morreram os ricos e famosos
Michael Largo (Larousse, 2008)

Michael Largo tem obsessão pela morte. Em seguida a Final exits, e aproveitando boa parte do material desse primeiro livro, ele lançou um outro volume dedicado, dessa vez, a contar como morreram várias pessoas conhecidas. A capa e o projeto gráfico seguem a mesma linha do livro anterior, inclusive com notas e citações entre os verbetes - recurso que, às vezes, deixa a leitura um pouco confusa. Por incrível que pareça num livro organizado em ordem alfabética de sobrenomes, faz falta um índice onomástico, já que muita personalidade entra em notas temáticas e, dessa forma, Janis Joplin aparece no verbete de Jim Morrison.

O bacana é que, mais do que apenas desfiar um monte de causas mortis, Michael Largo também dá uma palhinha da vida de figuras tão interessantes quanto Nikola Tesla (coração), Anne Sexton (asfixia por gás carbônico), Rod Serling (Alzheimer), Geronimo (pneumonia). O que só faz aumentar minha certeza de que eu poderia, se quisesse, passar o resto da vida lendo apenas biografias.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Final exits

Final exits
Michael Largo (Harper USA, 2006)

Acho que a vontade de todo mundo é a de morrer dormindo, na paz do sono, de preferência em meio a um sonho bom. Mas nem sempre é assim que acontece, como mostra Michael Largo numa enciclopédia que reúne centenas de causas mortis organizadas em ordem alfabética. Como ele mesmo explica no prefácio: em 1700, as certidões de óbito registravam menos de 100 causas para a morte. Hoje, há mais de 3 mil, a se contar as estatísticas americanas.

Final exits é muito mais curioso do que mórbido. Em "furniture", por exemplo, conta a história de um turista de Taiwan que morreu atingido por uma cadeira, jogada do 34º andar de um hotel em Nova York. Em "fashion", lembra a morte trágica da dançarina Isadora Duncan, asfixiada pela própria echarpe durante um passeio de carro. Apesar de uma ou outra foto realmente desconcertantes, a maioria das ilustrações do livro passa longe do macabro - para falar de envenenamento por tinta há uma foto de Goldfinger em que o James Bond Sean Connery passa as mãos pelo corpo todo pintado de Shirley Eaton. Curiosidade: para evitar que a atriz morresse durante as gravações, um pequeno pedaço de sua barriga foi deixado sem tinta. Só assim sua pele conseguiu respirar.

domingo, 3 de agosto de 2008

Mau humor

Mau humor
Ruy Castro (Companhia das Letras, 2002)

Comprei esse livro no início dos anos 1990, com outra capa e outro nome - O melhor do mau humor. Minha intenção era dá-lo de presente ao meu então namorado, um sujeito deliciosamente mal humorado (pelo menos para mim; as pessoas que conviviam conosco não pareciam ter essa visão tão poética da ranzinzice alheia). Não lembro qual foi o motivo, mas acabei não dando o livro coisa nenhuma. Arranquei a página onde havia escrito uma dedicatória inspirada e fiquei com ele para mim.

Trata-se de uma compilação de citações venenosas disparadas por gente do calibre de Oscar Wilde, Woody Allen, Paulo Francis e aquela série de figuras das antigas de quem o Ruy Castro vive falando, eu não conheço e acho que estou perdendo muito por isso: Ambrose Bierce, W.C. Fields, a turma da Round Table do Algonquin de Nova York. Pois de todas as frases, a única que ficou na minha cabeça é do próprio Ruy Castro, e rendeu uma excelente epígrafe: "Ao cético que existe em você - e que você insiste em enjaular naquela esperança de que talvez o ser humano saiba o que faz. Pois, olhe, pode acreditar numa coisa: ele não sabe."

domingo, 6 de julho de 2008

Almanaque dos anos 80

Almanaque dos anos 80
Luiz André Alzer e Mariana Claudino (Ediouro, 2004)

Uma garota que trabalha comigo define a adolescência como "a fase trevas" de qualquer ser humano. Então dá pra imaginar o que foi ter sido adolescente nos anos 80. Eu estive em uma festa "new wave" vestida com roupas fosforescentes. O figurino básico era calça OP e tênis quadriculado. Nas festinhas, a gente dançava de rosto colado ao som do Lionel Richie. Simon Le Bon era o homem mais bonito do mundo e toda menina queria ter o cabelo da Malu Mader na novela Tititi.

Pois os autores desse manual - um sucesso que deu origem a uma série de outros livros do gênero, alguns tão bizarros quanto O manual do Fusca - não fizeram outra coisa senão compilar todas essas referências e juntá-las num almanaque divertidíssimo, capaz de fazer voltar no tempo a mais desmemoriada das criaturas. Melhor ler sobre os anos 80 do que rever coisas dos anos 80. Infelizmente, TV Pirata e Armação ilimitada já não têm a menor graça.

El origen de los nombres de los países del mundo

El origen de los nombres de los países del mundo (y de muchas de las islas que éstos poseen)
Edgardo Otero (De los cuatro vientos editorial, 2003)

Quando estive em Buenos Aires pela última vez, em dezembro de 2004, fiquei revoltadíssima: primeiro com o preço dos livros, lá tão acessíveis e aqui tão altos, e depois por até hoje não ter tido coragem de estudar espanhol. Não adianta, não consigo ler romances no idioma, por mais semelhanças que ele tenha com o português - da mesma maneira, morro de vergonha de falar portunhol e geralmente não abro a boca nos países latinos que visito.

Mas, em Buenos Aires, a fome de comprar falou mais alto, então resolvi trazer esse livro de referência que encontrei numa pequena livraria de esquina, em Palermo Viejo. Romance eu não encaro, mas textos curtos e explicativos dá pra ler sem (quase) nenhum problema. E assim aprendi que o nome Áustria - Oesterreich, em alemão - data do ano 996 e quer dizer "terras do leste". E que a ilha de Mindanao, nas Filipinas, foi batizada em função de seus lagos: "min" quer dizer "país" e "danao", "lagoas". Cultura inútil? Curiosidades. Não é à toa que o livro, no Brasil, foi lançado pela editora Panda, que detém toda a coleção do Guia dos Curiosos.

domingo, 8 de junho de 2008

Dicionário de lugares imaginários

Dicionário de lugares imaginários
Alberto Manguel e Gianni Guadalupi (Companhia das Letras, 2003)

Agrada saber que tenho essa obra na estante; quando passo os olhos por todos os volumes enfileirados na minha prateleira de "livros sobre livros", esse é um dos que mais causa prazer. Talvez pela excelente idéia desenvolvida pelos autores, a de compilar em verbetes as cidades, planetas, mundos, ruas, edifícios e outros lugares que, mesmo sem existir de verdade, são tão importantes para algumas obras literárias que, às vezes, merecem até mapas detalhados de sua geografia.

Mas quando tiro o livro da estante para ler, ao acaso, algum dos verbetes, vem uma inevitável frustração. Não só pelo fato da maioria dos lugares imaginários pertencer a obras desconhecidas, sem tradução para o português - mas principalmente porque os textos foram escritos de uma maneira enciclopédica demais, sem charme, de um jeito que às vezes causa mais desconfiança do que curiosidade pelo lugar retratado. A edição brasileira incluiu alguns locais famosos de nossa literatura, como o Sítio do Picapau Amarelo, Antares e o ateneu de Raul Pompéia. Só não entendo o critério de seleção, que privilegiou, por exemplo, a Ilha do Pavão, citada em um dos romances menores de João Ubaldo Ribeiro, e deixou de fora Santa Fé, cidade que é quase protagonista de O tempo e o vento, ao lado da família Terra Cambará.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Password

Password
Lionel Kernerman (Martins Fontes, 2005)

Não nego que pareça estranho falar de um dicionário num blog sobre afetividades literárias. Mas leituras e dicionários andam (ou deveriam andar) de mãos dadas. E esse Password - English dictionary for speakers of Portuguese está entre os melhores que encontrei ultimamente, uma ferramenta que não apenas traduz a palavra desconhecida para o português como dá o significado dela... em inglês. Assim:

baffle - verb to puzzle (a person). I was baffled by her attitude towards her husband. desconcertar
earl - noun a British nobleman between a marquis and a viscount in rank. conde

Ótimo, não? Eu estou acostumada a ler em inglês e sou daquelas que, antes de correr pro dicionário, tenta intuir o significado da palavra pelo contexto da frase. Mesmo assim, não é raro pedir ajuda ao livrinho - o bacana desse Password é que ele dá a chance da gente pensar, antes de pular pra tradução pura e simples (e fácil). E ainda vem com um glossário português-inglês que fica ali bem à mão para, nas horas mais necessárias, nos lembrar que, sei lá, insatisfeito, em inglês, é disgruntled.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

The Marilyn Encyclopedia

The Marilyn Encyclopedia
Adam Victor (Overlook Press, 2002)

Primeira surpresa: Marilyn Monroe era, sim, uma boa atriz. Segunda: foi uma mulher extremamente infeliz, mesmo tendo o mundo e os homens a seus pés. Como eu queria saber mais sobre a estrela e não tinha a indicação de nenhuma boa biografia, e como saber de Marilyn é também olhar deslumbrada para suas fotos, mandei vir essa Encyclopedia pela Amazon, alguns anos atrás. Bom negócio.

Como o nome deixa explícito, o livro é composto por verbetes em ordem alfabética, à maneira das enciclopédias - vai de academy awards (ela nunca ganhou o Oscar) a Wyman, Jane (atriz que se casou com Fred Karger, um antigo amor de Marilyn). No meio disso tudo, os três maridos, os amantes, os amigos, os filmes, os projetos que ela considerou, os remédios, os médicos, o Globo de Ouro por seu papel em Quanto mais quente melhor, seus protetores e professores, a família desequilibrada e centenas de fotografias que a mostram desde que era a morena Norma Jeane Baker até se transformar na loira esplendorosa que ficou marcada na memória coletiva mundial. Mito, sim; mas também insegura, gordinha, sofredora, infeliz - humana.

sábado, 19 de abril de 2008

The meaning of tingo

The meaning of tingo
Adam Jacot de Boinod (Penguin UK, 2006)

Houve uma fase - que na verdade ainda existe, mas anda apenas latente - em que eu queria botar as mãos na maior quantidade possível de livros a respeito de palavras. Acabei formando outra estante excêntrica, além da de "livros sobre livros", muito útil para um trabalho que eu comecei e, quem sabe, um dia tenha coragem de terminar. Essa minibiblioteca de dicionários e afins (um dia escrevo aqui sobre History in English words, do Owen Barfield, um dos "afins" mais bacanas que li na época) estreou sua vertente estrangeira com The meaning of tingo, um livrinho divertido cheio de palavras cuja tradução - para o inglês, pelo menos, e certamente para o português também - não se daria na forma simples de um vocábulo apenas.

Tingo, por exemplo: para os habitantes da Ilha de Páscoa, quer dizer mais ou menos "tirar tudo o que se deseja de um amigo pedindo um objeto emprestado de cada vez". E os esquimós inuítes têm uma palavra específica, areodjarekput, para "trocar esposas por alguns dias". Num blog já desativado, o escritor confessa que seu termo preferido é o alemão Scheissenbedauern, "a frustração que alguém sente quando algo não sai tão mal quando esperava". Boa palavra.

PS. Procurando a ilustração para esse post, que retrata a capa britânica do livro, e não a americana que eu tenho, descobri que Boinod escreveu uma continuação: Toujours tingo. Oba.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Ela é carioca

Ela é carioca
Ruy Castro (Companhia das Letras, 1999)

Eu amo o Rio de Janeiro - tanto o de hoje, ainda que com dengue e violência, quanto o do passado, seja o dos anos 40, 50, 60 ou 70. Vá lá, até o dos 80, década que eu ainda lembro como "ontem" mas que já é velha o suficiente para ser considerada "passado". E, para a sorte de gente como eu, Ruy Castro também ama o Rio de Janeiro. Suas melhores obras tratam da cidade ou de alguns de seus personagens mais emblemáticos, como Garrincha e Nelson Rodrigues. Outro título dessa leva: Carnaval no fogo (2003), uma crônica estendida que retrata o Rio desde o século XVI até hoje. E esse, um perfil de Ipanema feito à maneira dos dicionários, com verbetes sobre os lugares, personagens e instituições do bairro mais Zona Sul da Zona Sul carioca.

Só pra ficar em alguns temas, Ruy Castro conta como começou a Banda de Ipanema, fala da época em que ninguém ainda freqüentava o Arpoador, cita um punhado de bares que entraram para a história - foi no Veloso que, como quer a MPB, Tom Jobim e Vinicius de Moraes viram passar aquela menina a caminho do mar. A sucessão de figuras que o escritor tirou do baú é impagável: um mestre de capoeira, atores iniciantes, cantores, pescadores e o meu preferido, Roniquito de Chevalier, um sujeito que, se não tivesse existido, merecia ter sido inventado. Sua biografia, escrita pela irmã, Scarlet Moon, está na minha lista de leituras futuras, e graças ao livro de Ruy Castro.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

The complete manual of things that might kill you

The complete manual of things that might kill you
Knock Knock Books (2007)

A loja americana moderninha onde encontrei esse livro, a capa cheia de sintomas e doenças radicais e o subtítulo direto - A guide to self-diagnosis for hypochondriacs - indicam que essa obra não passa de uma grande brincadeira com quem vive preocupado com a saúde. Mesmo assim, comprei correndo (fase de interesse médico, certo?), e adorei descobrir que, embora a obra seja, sim, uma brincadeira das mais divertidas, as doenças apresentadas diante de variados sintomas são muito reais, e aparecem em detalhes extremamente verdadeiros.

Logo no começo, um textinho sério e meio escondido avisa que o livro é uma paródia de manuais médicos. Ainda assim, as últimas pessoas para quem eu recomendaria essa leitura são os hipocondríacos, como sugere o subtítulo. (Quer saber se você é um hipocondríaco? Faça o teste da página 16.) Porque tudo o que o pessoal da editora Knock Knock fez foi tomar sintomas até que simples - tremores, mãos frias, dor no pé, músculos fracos - e dar a eles explicações das mais assustadoras. Você está com dor de cabeça? Vai ver que tem um tumor no cérebro, encefalite ou aids. Seu coração está batendo muito rápido? Pode ser beribéri, taquicardia supraventricular ou Síndrome de Wolff-Parkinson-White (don't ask). E cada doença ainda vem acompanhada de uma tabelinha que classifica, de 1 a 4, os riscos de contágio, os graus de dor e sofrimento e a possibilidade de levar à morte.

Alguém pode se perguntar o que faz uma pessoa gostar de livros como esses - e ainda escrever sobre eles. Eu gosto. Num ataque de filosofia muito barata, poderia dizer que conhecer a falibilidade do corpo humano nos deixa mais... humanos. Mas não é nada disso. Doenças são possibilidades. E eu gosto muito de possibilidades.