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domingo, 18 de outubro de 2009

Dicionário de mitologia

Dicionário de mitologia
(Best Seller, 2000)

Quando precisei procurar algo a respeito de Procrustes (Procusto, em português) para escrever sobre At large and at small, da Anne Fadiman, tinha certeza de ter, aqui em casa, o Dicionário mítico-etimológico do Junito de Souza Brandão. Que nada. Tenho é essa versão chatinha - embora, acredito, correta - que trata de personagens, lugares, plantas, festas e quetais relacionados à mitologia.

Eu só não entendo por que o principal texto a respeito de, por exemplo, um deus antigo, aparece no verbete de seu nome romano, e não do muito mais conhecido nome grego (bem, eu fui criada na mitologia de Monteiro Lobato, pra quem havia Zeus, Palas-Atena, Hera e Ares, e não Júpiter, Minerva, Juno e Marte) - embora haja remissões de um termo para o outro. De qualquer forma, não é um livro para aprender, com prazer, sobre as lendas da Grécia e de Roma Antigas, já que os verbetes são redigidos de uma maneira direta e didática; melhor usá-lo mesmo para consultas pontuais. O que me leva a tentar procurar, aqui em casa, o primeiro volume do As mais belas histórias da Antiguidade Clássica, do Gustav Schwab (o volume dois é tratado aqui). Esse, sim, fala sobre mitos com o respeito devido à literatura.

domingo, 31 de maio de 2009

O pequeno dicionário da moda

O pequeno dicionário da moda
Christian Dior (Martins Editora, 2009)

Minha cabeça de editora questiona três coisas depois de ter lido este livro. 1) Por que os verbetes estão com o nome em inglês, seguidos da tradução em português? É péssimo para consultar - e trata-se, afinal, de um dicionário. (Ok, existe um sumário, nas últimas páginas, com os termos em português, em ordem alfabética.) 2) Por que imprimir péssimas fotografias preto-e-branco, ainda mais num papel que não ajuda nada a melhorar a qualidade das imagens? 3) Por que, nas legendas, fazer referência aos vermelhos, verdes e amarelos das roupas, se tudo aparece num cinza feio e sem vida? Que ficassem apenas as ilustrações, e sem referência às cores inexistentes.

Tem outra coisa que me incomoda: propaganda enganosa. A quarta capa do livro diz com todas as letras que ele ensina a, entre outras coisas, "amarrar uma echarpe" - assunto que me interessa muito. Pois li de A a Z e não existe informação alguma sobre como dar um mero nó nesse lenço comprido. O dicionário de Christian Dior deve ter tido sua utilidade nos anos 50, quando foi lançado. Lido hoje, não traz nenhuma informação inédita para quem está acostumado aos ensinamentos de Trinny e Susannah ou já absorveu os ótimos conselhos de Nina Garcia. Todos os autores, na verdade, falam sobre a mesma coisa; a mais importante prega que elegância e simplicidade andam juntas. Pena que a editora de O pequeno dicionário da moda não o tenha lançado com fotos mais bacanas e coloridas. Seria uma maneira de preservar, belamente, as referências escritas por um dos maiores estilistas que o século 20 conheceu.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O dicionário das palavras esquecidas

O dicionário das palavras esquecidas
Lutécio Jordão

Apenas duas pessoas, no mundo inteiro, sabem do meu envolvimento com os diários de Lutécio Jordão: a maneira como os cadernos chegaram até mim, o trabalho de recuperação que ando fazendo, as dificuldades de se estabelecer uma cronologia e a árvore genealógica do autor. Ele, um sujeito que no começo colaborou muitíssimo, mas que espero nunca mais ver na vida. Ela, uma amiga querida que incentiva e cobra o andamento do trabalho (calma, K., um dia sai).

Dizem que o Brasil não tem memória, e eu concordo em boa parte com isso. Em tempos de novo acordo ortográfico, a maioria só desce a lenha; ninguém para pra pensar que já houve mudanças anteriores e pra melhor, nem sacam que o idioma é assim mesmo, vivo, e ainda bem que o seja. O velho e ranzinza Castro Lopes esteve aí pra mostrar isso: nem seus neologismos inventados com base em nossas raízes gregas e latinas pegaram - com a honrosa exceção pra palavra "cardápio". Então eu me sinto orgulhosa por ter conseguido chegar às idéias de Lutécio Jordão e ao trabalho que ele tão diligentemente organizou. Só ele, mesmo, pra distinguir cofalugia de colufagia - e essas são apenas duas das palavras esquecidas que ele recuperou.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

The new Food Lover's Companion

The new Food Lover's Companion
Sharon Tyler Herbst e Ron Herbst (Barron's, 2007)

Sou chegada num dicionário. E num livro de cozinha, mesmo que estrangeiro (de preferência em inglês; até consigo intuir o francês e o italiano, mas melhor não arriscar). Logo, gosto bastante de dicionários de cozinha. Esse Food lover's companion - que tenho com outra capa, bem mais interessante que a da foto - é uma delícia não só para consultar em caso de dúvidas quanto a nomes de ingredientes, técnicas e vinhos mas também para ler... como literatura mesmo. Sim, existe louco pra tudo.

Já disse que livros de culinária são, para mim, um respeitável gênero literário. Escrever receitas não é tão fácil quanto parece. Nem definir, em termos compreensíveis e elucidativos, milhares (são mais de 6700 verbetes) de temperos, tipos de queijo, técnicas de cozimento, ingredientes em espanhol, italiano, japonês, francês, bebidas e produtos variadíssimos, de algas a tomates. É evidente que minha intenção não é decorar o dicionário, nem posar de bacana quando alguém fala em pirogi, molho rémoulade ou eggnog. Mas lendo uma entrada aqui, outra ali, acabo aprendendo várias coisas. Assim eu já sei que, quando voltar à França, vou comer um clafoutis de pêssego. E que quando estiver no México, bastará uma enchilada para matar minha fome.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Dicionário tradutor de gastronomia em 6 línguas

Dicionário tradutor de gastronomia em 6 línguas
Roberta Malta Saldanha (Antonio Bellini Ed., 2007)

Quem gosta de cozinhar acaba se deparando, mais cedo ou mais tarde, com textos e receitas em outros idiomas. Inglês eu domino (e já aprendi, mais ou menos, a calcular de cabeça a equivalência entre o sistema métrico e o imperial). Francês, nem tanto, mas ainda assim me arrisco nos pratos simples de Recettes insolites (Hachette, 2002), presente de um amigo querido.

Para essas consultas - e para a agradável tarefa de traduzir livros culinários -, esse dicionário vem a calhar. A partir do português, em capítulos como aperitivos, açúcares e afins, embutidos, legumes, verduras e cogumelos, molhos, ovos e técnicas culinárias, cada termo tem seu equivalente em inglês (e inglês britânico, quando for o caso), espanhol, italiano, francês e alemão.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Dicionário de suicidas ilustres

Dicionário de suicidas ilustres
J. Toledo (Record, 1999)

Tá, é bizarro. Mórbido. Freak. Doentio. Mas suicídio - o tema - me atrai muito. Se tem gente disposta a escrever sobre o assunto, eis-me aqui disposta a ler (estou ansiosa pelo lançamento de Suicídio - O futuro interrompido, da jornalista Paula Fontenelle, que deve sair por esses dias). Uma das atitudes mais comuns diante de gente que se matou é dizer "um covarde". O escambau! Estar ali, à beira da morte, e decidir-se por ela, é coisa de uma coragem sem tamanho.

Então essa obra de J. Toledo é uma excelente referência a respeito, com duas características muito bacanas e outras duas questionáveis. As bacanas: a inclusão de personagens de ópera e literatura (e como tem figura cantante que se mata!) e a identificação da bibliografia correspondente logo abaixo de cada verbete. Por outro lado, a maior parte dos "suicidas ilustres" é, na verdade, formada por ilustres desconhecidos - como o francês François Buzot (século 18), o inglês Charles Blount (séc. 17), a brasileira Elsie Houston (começo do século 20), o inglês Barney Barnato (século 19). E, por fim, Toledo inclui entre os suicidas gente como Marilyn Monroe, Chet Baker e Linda McCartney, que morreram sem que se saiba exatamente se foi de caso pensado ou não.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Alfabeto literário

Alfabeto literário
Loredano (Capivara, 2002)

Tem livro de ver que é quase tão excitante quanto livro de ler - principalmente ao tratar da própria literatura, como este. A idéia, simples - escritores relevantes de todas as épocas, brasileiros e estrangeiros, retratados nas caricaturas de Loredano - ganhou uma execução primorosa, na linha dos melhores coffee table books.

O título se justifica pela maneira como é organizado: vai de A (Almeida Prado, Décio) a Z (Zweig, Stefan). Como é de praxe em caricaturas, cada desenho, acompanhado por uma pequena informação biográfica, explora os traços físicos mais marcantes dos retratados. É assim com as olheiras de Paul Auster, o nariz de Dante, a cara de gato de Cortázar. Já tentei brincar de adivinhar quem era quem só de olhar para o desenho. E cheguei à conclusão de que sou muito melhor para guardar nomes do que fisionomias...

domingo, 8 de junho de 2008

Dicionário de lugares imaginários

Dicionário de lugares imaginários
Alberto Manguel e Gianni Guadalupi (Companhia das Letras, 2003)

Agrada saber que tenho essa obra na estante; quando passo os olhos por todos os volumes enfileirados na minha prateleira de "livros sobre livros", esse é um dos que mais causa prazer. Talvez pela excelente idéia desenvolvida pelos autores, a de compilar em verbetes as cidades, planetas, mundos, ruas, edifícios e outros lugares que, mesmo sem existir de verdade, são tão importantes para algumas obras literárias que, às vezes, merecem até mapas detalhados de sua geografia.

Mas quando tiro o livro da estante para ler, ao acaso, algum dos verbetes, vem uma inevitável frustração. Não só pelo fato da maioria dos lugares imaginários pertencer a obras desconhecidas, sem tradução para o português - mas principalmente porque os textos foram escritos de uma maneira enciclopédica demais, sem charme, de um jeito que às vezes causa mais desconfiança do que curiosidade pelo lugar retratado. A edição brasileira incluiu alguns locais famosos de nossa literatura, como o Sítio do Picapau Amarelo, Antares e o ateneu de Raul Pompéia. Só não entendo o critério de seleção, que privilegiou, por exemplo, a Ilha do Pavão, citada em um dos romances menores de João Ubaldo Ribeiro, e deixou de fora Santa Fé, cidade que é quase protagonista de O tempo e o vento, ao lado da família Terra Cambará.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Password

Password
Lionel Kernerman (Martins Fontes, 2005)

Não nego que pareça estranho falar de um dicionário num blog sobre afetividades literárias. Mas leituras e dicionários andam (ou deveriam andar) de mãos dadas. E esse Password - English dictionary for speakers of Portuguese está entre os melhores que encontrei ultimamente, uma ferramenta que não apenas traduz a palavra desconhecida para o português como dá o significado dela... em inglês. Assim:

baffle - verb to puzzle (a person). I was baffled by her attitude towards her husband. desconcertar
earl - noun a British nobleman between a marquis and a viscount in rank. conde

Ótimo, não? Eu estou acostumada a ler em inglês e sou daquelas que, antes de correr pro dicionário, tenta intuir o significado da palavra pelo contexto da frase. Mesmo assim, não é raro pedir ajuda ao livrinho - o bacana desse Password é que ele dá a chance da gente pensar, antes de pular pra tradução pura e simples (e fácil). E ainda vem com um glossário português-inglês que fica ali bem à mão para, nas horas mais necessárias, nos lembrar que, sei lá, insatisfeito, em inglês, é disgruntled.

sábado, 19 de abril de 2008

The meaning of tingo

The meaning of tingo
Adam Jacot de Boinod (Penguin UK, 2006)

Houve uma fase - que na verdade ainda existe, mas anda apenas latente - em que eu queria botar as mãos na maior quantidade possível de livros a respeito de palavras. Acabei formando outra estante excêntrica, além da de "livros sobre livros", muito útil para um trabalho que eu comecei e, quem sabe, um dia tenha coragem de terminar. Essa minibiblioteca de dicionários e afins (um dia escrevo aqui sobre History in English words, do Owen Barfield, um dos "afins" mais bacanas que li na época) estreou sua vertente estrangeira com The meaning of tingo, um livrinho divertido cheio de palavras cuja tradução - para o inglês, pelo menos, e certamente para o português também - não se daria na forma simples de um vocábulo apenas.

Tingo, por exemplo: para os habitantes da Ilha de Páscoa, quer dizer mais ou menos "tirar tudo o que se deseja de um amigo pedindo um objeto emprestado de cada vez". E os esquimós inuítes têm uma palavra específica, areodjarekput, para "trocar esposas por alguns dias". Num blog já desativado, o escritor confessa que seu termo preferido é o alemão Scheissenbedauern, "a frustração que alguém sente quando algo não sai tão mal quando esperava". Boa palavra.

PS. Procurando a ilustração para esse post, que retrata a capa britânica do livro, e não a americana que eu tenho, descobri que Boinod escreveu uma continuação: Toujours tingo. Oba.