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sábado, 20 de março de 2010

La reina Mab

La reina Mab
Ruth Kaufman e Cristian Turdera (Pequeño editor, 2007)

Foi com Monteiro Lobato, só não me lembro em qual livro de sua coleção infantil, que conheci a história da rainha Mab, uma pequena criatura fantástica que aparece no primeiro ato de Romeu e Julieta, de Shakespeare. (Acho que é Mercúcio quem diz a Romeu algo como "ah, vejo que a rainha Mab o visitou em sonhos essa noite.")

Pois alguém teve a brilhante ideia de juntar uma escritora e um ilustrador muito bom para transformar a história da rainha em obra para crianças - e para adultos que, como eu, gostam de livros belos, não importa para quem foram feitos. Não se trata de uma tradução dos versos de Shakespeare, o que é outra boa sacada, e sim de um texto leve que começa contando como foi fabricada a carruagem da rainha (casca de avelã, teias de aranha) e avança até as aventuras noturnas de Mab, capaz de provocar sonhos de amor ao passar pelo cérebro dos enamorados, delírios de luta ao roçar o pescoço de um soldado, beijos amorosos ao galopar pelos lábios das garotas.

Só não entendi - meu conhecimento de Shakespeare está longe de ser significativo - o motivo do livro ter um subtítulo meio sombrio: "El hada de las pesadillas". Sim, lembro de Monteiro Lobato ter contado que Mab às vezes chicoteia sem dó algumas pessoas que visita à noite, mas para mim a pequena rainha está mais para fada dos sonhos do que dos pesadelos.

sábado, 13 de março de 2010

Xul Solar

Xul Solar
Vali Guidalevich (Albatros, 2009)

Dezembro, em Buenos Aires. Peregrinação por livrarias atrás de algum livro sobre Xul Solar - qualquer um, desde que não fosse a biografia bem ruim que eu, com muito esforço, já tinha lido. Cúspide, El Ateneo, Capítulo 2, Prometeo. E nada. Nem na loja da Fundação Pan Klub, onde fica o museu do artista (confesso que, ali, eu podia ter comprado um catálogo. Mas, com poucas exceções, achei o acervo bem fraco, e a moça que dublava de porteira, bilheteira e vendedora da loja era muito antipática). Até que um ser iluminado, na Yenny do Patio Bullrich, perguntou: "Pode ser infantil?" Claro que podia, principalmente porque livro infantil costuma ter muitas imagens, e o que me interessava mais era justamente poder ver, quando eu quisesse, alguns quadros produzidos por ele.

Xul Solar, da coleção "Arte para chicos", é lindo. Narrado em primeira pessoa, como se o próprio pintor estivesse contando sua história, tem algumas fotos do artista, vários quadros do acervo da Fundação (eba, economizei mais de 100 pesos ao deixar de levar o catálogo), detalhes que mostram características de seus trabalhos - transparências, bandeiras, os muitos símbolos - a história da casa onde fica o museu, uma cronologia, bibliografia e a lista de obras retratadas no livro. Ainda mais legal: propõe atividades para as crianças se aventurarem como repórteres ("o que são a filosofia e a astrologia?", pede a autora que descubram), pintoras, detetives (para identificar os símbolos escondidos nos quadros). Atividades para crianças mais crescidas e, principalmente, inteligentes. E que podem também servir para adultos, como eu, que adoro encarar uma brincadeira de vez em quando.

Uns dias depois, na loja do Malba, encontrei ainda Mago Xul - El mundo de Xul Solar para niños, de Didi Grau, com ilustrações de Irene Singer (Calibroscopio, 2009). Igualmente belo, igualmente instigante, e com os mesmos quadros que aparecem no outro livro - ambos foram feitos com apoio da Fundação e do museu. As crianças portenhas estão bem servidas de volumes sobre Xul. Então é preciso juntar-se a elas para descobrir um pouco mais da vida e da obra desse artista genial.

sábado, 6 de março de 2010

Las mil y una curiosidades del cementerio de la Recoleta

Las mil y una curiosidades del cementerio de la Recoleta
Diego M. Zigiotto (Grupo Editorial Norma, 2009)

Tudo começou com a avó da Fernanda, que conta a seguinte história: ainda mocinha, numa excursão para Buenos Aires, ela teria visto o corpo embalsamado de uma menina, vestida de branco, num mausoléu do cemitério da Recoleta. Há alguns anos, o Edu e a Fê estiveram lá e não encontraram nem rastro da garota - nem da história. Eu também já tinha visitado o lugar e o máximo que vi foi o túmulo de Evita, além de algumas sepulturas bem bonitas, com esculturas interessantes e ares art déco.

Em dezembro, estive em Buenos Aires outra vez - um pouco antes do Edu e da Fê, que voltaram para lá em janeiro - e botei na cabeça que ia tentar descobrir o túmulo da menina embalsamada. Acabei nem tendo tempo de visitar o cemitério, mas logo no começo da viagem (e de um périplo por livrarias em busca por livros sobre Xul Solar) encontrei este Las mil y una curiosidades..., que, certamente, tiraria nossa dúvida: a garota que a avó da Fê viu ainda estaria ali, embalsamada?

Não está. Pode ser que ela tenha visto a estátua de Luz María Garcia Velloso, a "dama de branco", uma menina que morreu de peritonite aos 14 anos, em 1924. Segundo o livro, a mãe de Luz, desesperada, chegou a dormir dentro da cripta, junto à estátua da garota, que foi retratada de branco, deitada sobre um leito de rosas.
Sou do tipo que gosta de visitar cemitérios, principalmente em viagens. Não vejo nada de sinistro neles. E, em minha próxima vez em Buenos Aires, espero prestar minha homenagem à dama de branco.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Xul Solar

Xul Solar
Álvaro Abós (Editorial Sudamericana, 2004)

Conheci e me apaixonei pela obra de Xul Solar em dezembro de 2004, numa viagem a Buenos Aires. Foi também quando comprei esse livro, ainda que eu não fale nem portunhol e não tenha muita paciência para tentar entender o espanhol. Demorou, mas fui lendo aos poucos, confesso que pulando algumas partes que eu não compreendia, pelo menos pra me inteirar do básico sobre a vida do artista, um sujeito muito interessante que eu nunca tinha visto sequer citado em nenhum texto ou reportagem sobre a pintura latino-americana.

Mas Xul foi mais do que apenas pintor. Inventou idiomas como o neocriollo, criou um jogo esquisitíssimo (e muito bonito) parecido com o xadrez, foi amigo de Borges, contribuiu para a revista Martín Fierro... Entre os anos 20 e 50, só faltou virar a Buenos Aires cultural de cabeça pra baixo. Mais tarde, creio que em 2005, quando a Pinacoteca do Estado organizou uma excelente mostra das obras de Xul Solar, fui ver a exposição com o livro em punho. E descobri vários erros chatinhos, como nomes de obras incorretos. Infelizmente, o volume continua sendo a única referência que já encontrei, até hoje, sobre a vida e o fascinante trabalho desse argentino inspirador.

domingo, 6 de julho de 2008

El origen de los nombres de los países del mundo

El origen de los nombres de los países del mundo (y de muchas de las islas que éstos poseen)
Edgardo Otero (De los cuatro vientos editorial, 2003)

Quando estive em Buenos Aires pela última vez, em dezembro de 2004, fiquei revoltadíssima: primeiro com o preço dos livros, lá tão acessíveis e aqui tão altos, e depois por até hoje não ter tido coragem de estudar espanhol. Não adianta, não consigo ler romances no idioma, por mais semelhanças que ele tenha com o português - da mesma maneira, morro de vergonha de falar portunhol e geralmente não abro a boca nos países latinos que visito.

Mas, em Buenos Aires, a fome de comprar falou mais alto, então resolvi trazer esse livro de referência que encontrei numa pequena livraria de esquina, em Palermo Viejo. Romance eu não encaro, mas textos curtos e explicativos dá pra ler sem (quase) nenhum problema. E assim aprendi que o nome Áustria - Oesterreich, em alemão - data do ano 996 e quer dizer "terras do leste". E que a ilha de Mindanao, nas Filipinas, foi batizada em função de seus lagos: "min" quer dizer "país" e "danao", "lagoas". Cultura inútil? Curiosidades. Não é à toa que o livro, no Brasil, foi lançado pela editora Panda, que detém toda a coleção do Guia dos Curiosos.