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domingo, 18 de outubro de 2009

Dicionário de mitologia

Dicionário de mitologia
(Best Seller, 2000)

Quando precisei procurar algo a respeito de Procrustes (Procusto, em português) para escrever sobre At large and at small, da Anne Fadiman, tinha certeza de ter, aqui em casa, o Dicionário mítico-etimológico do Junito de Souza Brandão. Que nada. Tenho é essa versão chatinha - embora, acredito, correta - que trata de personagens, lugares, plantas, festas e quetais relacionados à mitologia.

Eu só não entendo por que o principal texto a respeito de, por exemplo, um deus antigo, aparece no verbete de seu nome romano, e não do muito mais conhecido nome grego (bem, eu fui criada na mitologia de Monteiro Lobato, pra quem havia Zeus, Palas-Atena, Hera e Ares, e não Júpiter, Minerva, Juno e Marte) - embora haja remissões de um termo para o outro. De qualquer forma, não é um livro para aprender, com prazer, sobre as lendas da Grécia e de Roma Antigas, já que os verbetes são redigidos de uma maneira direta e didática; melhor usá-lo mesmo para consultas pontuais. O que me leva a tentar procurar, aqui em casa, o primeiro volume do As mais belas histórias da Antiguidade Clássica, do Gustav Schwab (o volume dois é tratado aqui). Esse, sim, fala sobre mitos com o respeito devido à literatura.

domingo, 17 de maio de 2009

Bíblia

Bíblia Sagrada
(Editora Vida, 2003)

Eu adoro as listas Top 10 do site do Guardian. Agora à noite, sem sono, resolvi xeretar no acervo de quase 300 listas sobre literatura já feitas pelo jornal. E uma delas - Top 10 books in which things end badly - feita pelo escritor Richard Gwyn, começa pela Bíblia, um livro que sempre rondou nossa vida (ou pelo menos a de quem, como eu, cresceu como católico) como exemplo edificante, moralista, os bons vão para o céu e os maus vão para o inferno, faça o bem e receberás o paraíso.

Gwyn fala especificamente do Novo Testamento - como é que pode terminar bem uma história em que o filho acaba sendo crucificado pela vontade do próprio pai? -, mas quando eu vi a lista me vieram primeiro à cabeça algumas histórias do Velho Testamento. Abraão, por exemplo, que é obrigado por seu deus a sacrificar o próprio filho (tá, ele não sacrifica, mas só porque um anjo o redime na última hora). Jó, que sofre um infortúnio atrás do outro. E Moisés, pra mim a pior delas, porque mostra a crueldade com que pode ser recompensada a fé. O cidadão é separado da família ainda bebê, rompe com a família de criação para libertar os escravos judeus do Egito, lidera o povo pelo deserto durante sei lá quantas décadas e quando, finalmente, consegue ver a terra prometida do alto de um morro, seu deus o avisa de que ele vai morrer antes de colocar os pés lá. É o supra-sumo da sacanagem. Concordo com a lista do Guardian: nada pode terminar pior.