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domingo, 15 de fevereiro de 2009

What língua is esta?

What língua is esta?
Sérgio Rodrigues (Ediouro, 2005)

Já faz tempo que muita gente trata o professor Pasquale como a grande autoridade em Língua Portuguesa no país. Eu sempre preferi Sérgio Rodrigues. Não que os dois se pareçam - Pasquale é o professorzão que usa fatos do cotidiano para falar de regras e gramática e Sérgio Rodrigues escreve sobre o idioma de um jeito muito mais sutil e instigante. Prova disso é sua coluna na Revista da Semana: traz sempre uma palavra que esteve circulando pelos noticiários recentes e trata dela em termos etimológicos, práticos, culturais.

Reunidas nesse livro estão várias crônicas publicadas no Jornal do Brasil e no finado e saudoso site nominimo.com. Tratam de clichês, termos que usamos de maneira errada, adaptações esdrúxulas que fazemos do inglês, onomatopéias e o que mais render assunto para discutir a Língua Portuguesa de um jeito inteligente. Faz a gente pensar mais antes de falar e de escrever. Um senão: as crônicas poderiam vir seguidas de sua data de publicação original, pois muitas vezes Sérgio usa referências que hoje já não fazem sentido; num dos textos, levei um bom tempinho até entender quem eram Gisele (Bündchen) e Leonardo (DiCaprio).

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Dicionário tradutor de gastronomia em 6 línguas

Dicionário tradutor de gastronomia em 6 línguas
Roberta Malta Saldanha (Antonio Bellini Ed., 2007)

Quem gosta de cozinhar acaba se deparando, mais cedo ou mais tarde, com textos e receitas em outros idiomas. Inglês eu domino (e já aprendi, mais ou menos, a calcular de cabeça a equivalência entre o sistema métrico e o imperial). Francês, nem tanto, mas ainda assim me arrisco nos pratos simples de Recettes insolites (Hachette, 2002), presente de um amigo querido.

Para essas consultas - e para a agradável tarefa de traduzir livros culinários -, esse dicionário vem a calhar. A partir do português, em capítulos como aperitivos, açúcares e afins, embutidos, legumes, verduras e cogumelos, molhos, ovos e técnicas culinárias, cada termo tem seu equivalente em inglês (e inglês britânico, quando for o caso), espanhol, italiano, francês e alemão.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Password

Password
Lionel Kernerman (Martins Fontes, 2005)

Não nego que pareça estranho falar de um dicionário num blog sobre afetividades literárias. Mas leituras e dicionários andam (ou deveriam andar) de mãos dadas. E esse Password - English dictionary for speakers of Portuguese está entre os melhores que encontrei ultimamente, uma ferramenta que não apenas traduz a palavra desconhecida para o português como dá o significado dela... em inglês. Assim:

baffle - verb to puzzle (a person). I was baffled by her attitude towards her husband. desconcertar
earl - noun a British nobleman between a marquis and a viscount in rank. conde

Ótimo, não? Eu estou acostumada a ler em inglês e sou daquelas que, antes de correr pro dicionário, tenta intuir o significado da palavra pelo contexto da frase. Mesmo assim, não é raro pedir ajuda ao livrinho - o bacana desse Password é que ele dá a chance da gente pensar, antes de pular pra tradução pura e simples (e fácil). E ainda vem com um glossário português-inglês que fica ali bem à mão para, nas horas mais necessárias, nos lembrar que, sei lá, insatisfeito, em inglês, é disgruntled.

sábado, 19 de abril de 2008

The meaning of tingo

The meaning of tingo
Adam Jacot de Boinod (Penguin UK, 2006)

Houve uma fase - que na verdade ainda existe, mas anda apenas latente - em que eu queria botar as mãos na maior quantidade possível de livros a respeito de palavras. Acabei formando outra estante excêntrica, além da de "livros sobre livros", muito útil para um trabalho que eu comecei e, quem sabe, um dia tenha coragem de terminar. Essa minibiblioteca de dicionários e afins (um dia escrevo aqui sobre History in English words, do Owen Barfield, um dos "afins" mais bacanas que li na época) estreou sua vertente estrangeira com The meaning of tingo, um livrinho divertido cheio de palavras cuja tradução - para o inglês, pelo menos, e certamente para o português também - não se daria na forma simples de um vocábulo apenas.

Tingo, por exemplo: para os habitantes da Ilha de Páscoa, quer dizer mais ou menos "tirar tudo o que se deseja de um amigo pedindo um objeto emprestado de cada vez". E os esquimós inuítes têm uma palavra específica, areodjarekput, para "trocar esposas por alguns dias". Num blog já desativado, o escritor confessa que seu termo preferido é o alemão Scheissenbedauern, "a frustração que alguém sente quando algo não sai tão mal quando esperava". Boa palavra.

PS. Procurando a ilustração para esse post, que retrata a capa britânica do livro, e não a americana que eu tenho, descobri que Boinod escreveu uma continuação: Toujours tingo. Oba.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

O professor e o demente

O professor e o demente
Simon Winchester (Record, 1999)

Ninguém nunca pára pra pensar no trabalhão que dá escrever um dicionário - que dirá o Oxford English Dictionary, a maior referência do idioma inglês no mundo, inicialmente publicado em 10 volumes depois de 70 anos de trabalho rigoroso. É basicamente essa história que Winchester conta em O professor e o demente - de onde surgiu a idéia para a primeira grande compilação de termos da língua inglesa, quem foram os homens que levaram o projeto à frente, em que obras se basearam, quais foram seus "antepassados". Parece chato e árduo; não é. Quem gosta de palavras vai adorar conhecer o método adotado pelo OED para começar a existir e seu criativo sistema de colaboradores voluntários. Acima de tudo, vai se surpreender com as duas figuras principais do livro, o professor (James Murray, o editor mais importante do OED) e o demente (William Chester Minor, médico do Exército americano, assassino confesso e interno de um sanatório judicial, um dos mais valiosos colaboradores do OED durante vinte anos).

Em memória a James Murray e William Minor, porém, a edição brasileira do livro poderia ter sido mais cuidadosa. Há inúmeros casos de parênteses e travessões deslocados, citações que começam e não terminam com aspas, erros crassos de pontuação. O projeto gráfico também não é dos melhores, mas isso acaba sendo o menor dos defeitos diante de tanto descaso com a preparação do texto. Pena. Obras sobre o Oxford English Dictionary merecem consideração e respeito minimamente compatíveis com sua importância para as letras em todo o mundo.