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segunda-feira, 25 de maio de 2009

Guia gastronômico de Paris

Guia gastronômico de Paris
Patricia Wells (Ediouro, 1997)

Paris, outra vez, porque eu não vejo a hora de entrar naquele avião e passar uma semana comendo e bebendo sem culpa: pain au chocolat, baguete com camembert, cozinha de bistrô, vinho tinto, vinho tinto, vinho tinto. Não sei até que ponto as indicações deste guia de Patricia Wells (nem só da Provence vive minha autora culinária preferida) continuam válidas, porque o livro já tem mais de dez anos. De qualquer maneira, servem como uma excelente introdução ao tema "comida em Paris" - assim como Elisa Donel, Patricia fala dos queijos, pães, docinhos e restaurantes da cidade com muito conhecimento de causa.

Dureza é não saber onde guardar tanta informação, porque a memória é que não aguenta. Muito menos a mala e a bolsa que eu vou ter que carregar durante a viagem. Hoje um amigo meu aconselhou: "leve talheres para os piqueniques nos parques. E compre copos lá pra tomar vinho de um jeito decente no hotel." Não é má ideia. Isso eu consigo me lembrar. E como escolher entre tantas lojas de queijos, charcuterie, patisseries, boulangeries, onde comprar os ingredientes para o piquenique? Acho que vou ter de dar um jeito de contrabandear a Patricia na mala.

sábado, 23 de maio de 2009

Almanaque das festas instantâneas

Almanaque das festas instantâneas
Chris Campos (Memória Visual, 2009)

Se eu morasse num lugar maior (adoro meu apartamento, mas ele é minúsculo!), onde houvesse espaço para receber diversos amigos, começaria já a colocar em prática as ideias deste livro. Promoveria um "almoço temático de filme". Ou um "jantar dançante". Se eu morasse num lugar maior E tivesse 15 quilos a menos, reuniria as amigas para um chá da tarde "Alice no país das maravilhas", cheio de bolos confeitados, tortas doces e salgadas, sanduichinhos, pãezinhos e biscoitinhos.

Porque Chris Campos deu um jeito de fazer com que as 25 festas temáticas boladas e sugeridas por ela neste livro pareçam fáceis e, principalmente, divertidíssimas. Além delas, há dicas sobre quem convidar, o que fazer e não fazer na hora da reunião, ideias para o figurino e importantes informações logísticas - sim, porque festa de sucesso requer planejamento. Livro também. E dá pena ver que passaram errinhos que poderiam ter sido evitados com uma revisão (para alguns problemas de pontuação) e uma edição (para evitar que termos como "suculento" fossem usados em excesso e da maneira errada) mais atentas.

domingo, 17 de maio de 2009

The Provence cookbook

The Provence cookbook
Patricia Wells (HarperCollins, 2004)

Acordei com vontade de fazer um bolo de peras. Tenho uma receita ancestral da minha avó, usada originalmente para fazer bolo (ou torta, como ela chamava) de bananas, e que vai muito bem com outras frutas - pêssego, principalmente. (Eu poderia comer pêssegos ao longo de todo o ano.) Mas o que estou com vontade de comer é bolo de peras, então fui à estante atrás de uma de minhas autoras de cozinha preferidas: Patricia Wells.

Esse The Provence cookbook é lindo desde a capa, que reproduz um campo de lavanda (outro bolo que preciso aprender a fazer: de lavanda, para aproveitar um potinho que comprei no Dean & Deluca), até o projeto gráfico simples e elegante. Eu sei que peras não estão entre os ingredientes provençais mais típicos, mas imaginei que Patricia Wells não iria me desapontar. E eu tinha razão: um bolo úmido e macio, feito com as frutas que ela cultiva em seu pomar, marca presença entre receitas de pão de polenta com alecrim, galette de abobrinha, linguine com açafrão e daubes (cozidos) de carne com vinho tinto. Agora, só me resta conferir se tenho à mão todos os ingredientes para o bolo.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

George, being George

George, being George
editado por Nelson W. Aldrich, Jr. (Random House, 2008)

Eu não sabia quase nada sobre o George Plimpton até ler uma matéria escrita pelo Graydon Carter, da Vanity Fair, no New York Times. Falava sobre o lançamento desse livro, contava algumas histórias que entraram para o folclore de Plimpton e me deixou morrendo de curiosidade sobre esse homem que nasceu rico, frequentou as melhores escolas, mudou-se para a Europa no pós-guerra e, quase de farra, juntou-se a outros americanos para, juntos, lançarem um marco da literatura mundial: a revista The Paris Review. (Qualquer um que se interesse a sério por livros e escritores deveria sair correndo em busca da compilação de entrevistas da PR, lançada pela Companhia das Letras.)

Organizado por um ex-editor da revista em Paris (depois a redação se mudou para Nova York), o livro é muitíssimo bem definido pelo subtítulo: George Plimpton's life as told, admired, deplored and envied by 200 friends, relatives, lovers, acquaintances, rivals - and a few unappreciative observers. Não existe um texto corrido, e sim parágrafos com o depoimento desses vários amigos, parentes, amantes, conhecidos, gente que participou da vida de Plimpton em cada uma de suas fases. Dá certo, e a gente percebe isso já no prólogo, uma sensacional coleção de testemunhos sobre a fascinação que ele tinha por fogos de artifício. Eu, que tenho uma birra tremenda por prólogos, adorei.

Eu ia dizer que George Plimpton teve uma vida invejável: foi gregário, festeiro, empreendedor, aventureiro. Virou celebridade, e isso não é coisa das mais fáceis no mundo literário. Mas não posso invejar, porque sou o anti-Plimpton total. E estou muito contente assim. É tão bom saber que os livros - e muitas biografias, como a do Richard Burton - podem preencher esse tantinho de desprendimento que eu não faço questão de aprender a essa altura da vida, porque gosto dela do jeito que é.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

O mundo de Viagem e Turismo

O mundo de Viagem e Turismo
(Editora Abril, 2008)

Meu amigo diz que não viaja porque tem preguiça. Dá preguiça, mesmo. Fazer mala, enfrentar o aeroporto, a fila do check-in ou da PF, chegar cansado, descarregar tudo... Mas nem eu, que pago pra ficar encostada, deixo de viajar por causa disso - e volto sempre estourada de tanto andar pra cima e pra baixo, percorrer museus e lojinhas, mais magra de tanto caminhar. Pra quem precisa de inspiração, esse livro é um achado: traz uma bela foto e um texto superbásico sobre cada um dos 192 países membros da Onu.

2008 foi um ano de recolhimento - com exceção das duas primeiras semanas de janeiro, acho que não saí de São Paulo nenhuma vez. Gostaria que fosse diferente daqui em diante. Muitas viagens me esperam, por mais que, por enquanto, eu me arrisque apenas nas também importantes viagens verticais. Quero convencer alguém a partir comigo para um lugar bem bizarro, como a Capadócia ou a Islândia. A Ilha da Madeira. Zanzibar. Talvez ir a Belém para comer o tacacá da dona Maria. Desafiar os mosquitos e me hospedar num hotel de selva na Amazônia. Até que enfim conhecer Porto Alegre, de preferência durante a Feira do Livro. Aproveitar. E gastar minhas milhas para ir à Ilha de Páscoa (eu até já sei o que significa tingo), o lugar mais isolado do planeta. Como não querer conhecer o lugar mais isolado do planeta? Eu vou.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Toujours Provence

Toujours Provence
Peter Mayle (Vintage Books, 1992)

Os livros de Peter Mayle - eu comecei com Hotel Pastis - fazem parte do gênero ai-que-inveja-absurda-da-vida-desse-cara. Numa versão "crônicas", é mais ou menos como o Minhas receitas da Provence, de Patricia Wells. Sei não, esse povo parece ter o sério e prazeroso distúrbio de esfregar na cara da gente como a vida pode ser boa e feliz e divertida, principalmente quando se tem uma conta corrente abastada e uma casa na Provence. Ai que inveja absurda da vida desse cara!

Bem, eu sou partidária ferrenha da literatura como incentivadora (ou promotora) de sonhos, então adoro ler o Peter Mayle e a Patricia Wells, e imaginar como seria a minha vida entre os mercados de frutas e legumes frescos da aldeia, os problemas com encanadores, os turistas enxeridos, os jantares informais com os vizinhos, cheios de comidinhas gostosas e vinhos idem. É bacana pensar que um dia eu também posso circular, ainda que a passeio, por lugares chamados Cavaillon, Buoux, Ménerbes, Gordes. E, enquanto não acontece, sonhar com isso nos livros.

domingo, 21 de setembro de 2008

The one hundred

The one hundred
Nina Garcia (Collins, 2008)

Estou longe de ser fashionista ou de seguir a ditadura da moda, mas confesso que tenho adorado os livros sobre o assunto. Como sabiamente disse um amigo meu, é só depois dos 30 anos que a gente aprende de verdade a se vestir, a saber o que cai bem, que peças nos valorizam, o que evitar e assim por diante - e isso só acontece graças ao acúmulo de informações adquiridas ao longo do tempo e às dezenas de fotografias que nos mostram naquelas irreverentes, necessárias e despreocupadas roupas da juventude (se você passou por isso nos anos 80 e começo dos 90, o trauma é maior).

Informações, e não regras, mudaram a maneira com que eu me visto. Se eu sei que listras horizontais engordam, procuro evitá-las. Se eu sei que gola alta não favorece o meu colo, uso decotes em V. Tudo é válido para que eu me sinta bem dentro da roupa que estou usando no lugar em que trabalho, num bar ou restaurante, na festa de família. Nina Garcia colabora para isso ao elencar as 100 peças que, em sua opinião, vão se manter sempre em alta, não importa o modismo atual: o pretinho básico, um casaco caramelo, jaqueta jeans, meias pretas opacas... Qualquer uma delas, porém, deve ser usada de acordo com o seu tipo físico, seu estilo de vida, sua personalidade. Eu, por exemplo, ficaria ridícula numa saia de oncinha. Mas encher o braço de pulseiras diferentes, coloridas e barulhentas até que não é má idéia...

sábado, 12 de julho de 2008

O homem que comeu de tudo

O homem que comeu de tudo
Jeffrey Steingarten (Companhia das Letras, 2000)

Quando Jeffrey Steingarten decidiu trocar a profissão de advogado pela de crítico gastronômico da revista Vogue, impôs a si mesmo um teste rigoroso: ele devia fazer um esforço e passar um tempo comendo várias das coisas de que não gostava. Ou, como ele mesmo diz, teria que enfrentar suas fobias alimentares. E passou no teste, salvo algumas exceções - ele continua sem comer sobremesas em restaurantes indianos, que para ele têm gosto e textura de cremes faciais (e fala mal do rasmalay, um delicioso creminho de leite com cardamomo! Ele podia tentar o do Govinda, em São Paulo).

Ou seja: Steingarten se propõe a comer de tudo mesmo. Pode ser o caríssimo bife de gado wagyu japonês, tratado com cerveja e massagem. Podem ser trufas que ele viu serem rastreadas pelos cães farejadores do Piemonte, na Itália. Mas também podem ser pombos recheados, miúdos e vísceras, um porco inteiro - adoro esse capítulo, sobre um concurso de porco assado em Memphis (ando com mania de costelinhas suínas). O principal é que Steingarten é muito mais bem humorado que vários de seus colegas escritores (como Anthony Bourdain, que depois de desvendar os bastidores dos restaurantes saiu pelo mundo escrevendo sobre viagens gastronômicas). O homem que comeu de tudo só tem um problema: não dá pra ler quando a gente está com fome.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Casa da Chris

Casa da Chris
Chris Campos (Record, 2004)

Eu não me animei muito com o último livro da Chris, mas é porque nele a autora passou longe de sua verdadeira vocação: viver a versão brasileira, muito menos certinha e muito mais bem humorada, da faz-tudo americana Martha Stewart (que passou um tempo na cadeia por, acho, usar informações privilegiadas na venda de ações, mas que nem assim deixou de ser um ícone de elegância e bem viver para suas conterrâneas).

Martha tem sites, revistas e programas voltados para o bem-estar... caseiro. São receitas, idéias de decoração, modelos de presentes que podem ser criados em casa e uma série de outros faça-você-mesmo que ajudam a deixar a vida mais gostosa e bonita. Pois a Chris tem esse mesmíssimo dom, com a vantagem de que seu gosto é muito mais adaptado à realidade brasileira. Nesse livro, homônimo de seu site bacanérrimo com ar retrô, ela ensina a promover jantares para os amigos, receber o clube da luluzinha para uma tarde de chá e fofocas, dar um trato na casa, pintar paredes, sobreviver à reforma... Manual de etiqueta, regras de decoração? Longe disso. Chris fala à mulher real, que pode morar em apartamentos pequenos e não ter um faqueiro de prata guardado para ocasiões especiais. O título de alguns capítulos dá o tom do livro: "O manual da farra consciente, ou como organizar almoços festivos", "Truques para deixar sua casa com cara de cenário de filme", "A vida sem velas não seria uma festa". Bem escrito, bem humorado e muito útil.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Viaje na viagem

Viaje na viagem
Ricardo Freire (Mandarim, 2000)

Se alguém me pergunta que livro eu gostaria de ter escrito, eu respondo logo dois: Histórias de cronópios e de famas ou Reinações de Narizinho. Mentira. Eu queria mesmo era ter escrito Viaje na viagem, o sensacional e infelizmente esgotado primeiro livro de Ricardo Freire. Ex-publicitário ("não é assim uma Brastemp" te diz alguma coisa?), viajante profissional e atual blogueiro, Riq escreveu o guia de todos os guias sem dar nenhuma informação básica pro turista - onde ficar, onde comer, o que ver, etc.

Como indica o bem humorado subtítulo, trata-se, sim, de um livro de auto-ajuda para turistas. Com a experiência de quem já rodou o mundo e esteve até na Cochinchina, Freire orienta os leitores sobre que tipo de viagem combina mais com cada perfil, dá sugestões de itinerários malucos e/ou de sonho, publica um glossário de destinos e ensina como pesquisar tudo pela internet - com a ressalva de que, como o livro é de 1998, as dicas estão quase dez anos atrasadas; mesmo assim, são um excelente ponto de partida. Para acompanhar os posts do blogueiro, acesse viajeaqui.com.br.

domingo, 25 de novembro de 2007

Guia New York

Guia New York
Katia Zero (Makron, 1997)

O tempo é o maior inimigo de um guia turístico - mas esse, mesmo com dez anos de vida, continua a ser um excelente companheiro para quem vai a Nova York. É porque o melhor do guia não está em seus endereços - para tê-los atualizados, você pode comprar qualquer Lonely Planet ou consultar o Cityguide online -, mas nas deliciosas histórias que Katia Zero conta a respeito dos principais pontos turísticos e outros nem tanto da cidade. Só quem, como a autora, mora há décadas em NY, e sente por ela uma curiosidade infinita, consegue escrever com tanto charme e bom humor.

A graça começa, literalmente, no começo: uma seção que diz que "o melhor de Nova York é grátis ou custa menos de US$ 10" abre o livro. E segue pela descrição muito bem sacada de bairros, casas, museus, lojas, hotéis e restaurantes, tudo entremeado de comentários a respeito de quem fez o quê, quem viveu onde, que milionário construiu qual mansão, qual é o creme para o corpo que as estrelas de cinema usam - e onde comprá-lo. Não é só um guia prático; é um guia cultural, de estilo e de comportamento. Com o dólar cada vez mais acessível, está na hora de alguma editora reeditá-lo.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Minhas receitas da Provence

Minhas receitas da Provence
Patricia Wells (Ediouro, 1998)

Tem gente que não acredita (ou acha que é doideira), mas eu leio livros de receita como quem lê literatura - de onde eu sei, de cara, se uma receita faz sentido ou não. De uns tempos pra cá, cada vez mais chefs, principalmente os famosinhos, lançam seus livros de receita caríssimos, com fotos de dar água na boca, mas muitas vezes com ingredientes incompletos ou modos de preparo que só sendo adivinho pra entender como funciona. Não é o caso de Patricia Wells, minha escritora "culinária" favorita. Patricia é americana, mas ama a França e principalmente a região da Provença (as fotos deste seu livro não são lá essas coisas, mas boas o suficiente pra fazer a gente invejar a casa que ela comprou com o marido na pequena Vaison-la-Romaine), e são os sabores locais que inspiram receitas como o queijo de cabra gratinado à Anne (sua vizinha na Provença), o clafoutis de tomate e o pato com mel e limão (sua versão de um prato criado pelo chef Fredy Girardet).

O mais bacana é que, antes de cada receita, Patricia conta uma historinha sobre quem deu a dica pra que o prato saísse daquele jeito, fala das criações de seu açougueiro provençal, apresenta a moça que comanda a banca de queijos na feira local e trata de uma série de outros personagens em narrativas curtas e inspiradoras. Meu livro tem manchas de azeite e tomates, algumas anotações e vários post-its que marcam as receitas favoritas - ou outras que quero logo experimentar. Também de Patricia, são fundamentais Cozinha de Bistrô (o espaguete com limão, azeitonas e tomilho que tanto agrada meus amigos saiu de suas páginas) e The Provence Cookbook (ainda sem edição em português).