segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Nem só de caviar vive o homem

Nem só de caviar vive o homem
Johannes Mario Simmel (Nova Fronteira, 2006)

Talvez esse tenha sido o livro responsável, ao mesmo tempo, por me fazer gostar de tramas rocambolescas, mezzo policiais, mezzo thriller, e me fazer gostar de cozinhar. Isso porque Thomas Lieven, de pacato banqueiro alemão em Londres, de repente vê-se transformado em agente secreto durante a Segunda Guerra Mundial - e suas aventuras, ora a favor dos alemães, ora dos franceses e até dos americanos, são contadas a partir das refeições que ele preparou e serviu, e que de alguma forma foram marcantes em sua trajetória.

Não sei que idade eu tinha quando li esse livro - certamente na adolescência, durante os anos 80. Mas me lembro até hoje do impacto que me causou ver receitas completas, com ingredientes e modo de preparo, no meio de um livro de ficção. Então isso era possível? Lembro também que o volume lá de casa era bem velho; literalmente, desfolhava. E fiquei muito feliz quando, ano passado, vi o livro relançado por uma coleção que comemorava os 40 anos da editora Nova Fronteira. Só quem já passou pela experiência de, de repente, sentir reviver na alma todo um período da vida só de olhar para a capa de um livro, pode entender o que eu senti. Comprei na hora, reli no começo desse ano. Por sorte (ou prática), ando escolada nesse negócio de releituras, e quando abri de novo a história de Thomas Lieven eu sabia que meu juízo seria muito diferente do juízo dos 13 ou 14 anos. O livro realmente não é muito bom: tem furos, força a barra em várias situações e, isso foi o que me deixou realmente indignada, as receitas não são bem escritas. Mas não importa. Nem só de caviar vive o homem vai viver pra sempre na minha memória afetiva como o livro que me ensinou a gostar de thrillers, e a gostar de cozinhar.

Nenhum comentário: