sábado, 27 de outubro de 2007

A louca da casa

A louca da casa
Rosa Montero (Ediouro, 2004)

Demorei um bom tempo pra ler A louca da casa, mesmo depois de ter visto Rosa Montero falar na Flip de 2004. E quando finalmente abri o livro, a primeira frase me ganhou de cara: "Estou acostumada a organizar as lembranças da minha vida em torno de um rol de namorados e livros." Eu também. E quem me dera, um dia, escrever algo tão divertido e ao mesmo tempo tão capaz de provocar pensamentos sobre o fazer literário, sobre as bênçãos e armadilhas da imaginação. A louca da casa é um misto de lembranças autobiográficas, reflexão literária e ficção, com Rosa narrando em primeira pessoa. (Antes da leitura começar, eu já sabia que um dos personagens era completamente fictício - li ou ouvi isso em algum lugar, talvez até da própria autora em Parati. E esse foi um dos poucos casos em que começar a narrativa já sabendo de um de seus "segredos" não tirou o meu prazer da leitura.)

Peguei o livro da estante ao começar a escrever este post. Está todo anotado: "casco da tartaruga", "eu! até quando?", "mas às vezes não há respostas possíveis" são algumas das coisas que escrevi nas margens de quase toda página. Há dezenas de frases grifadas e outras circuladas, pra mostrar a importância maior: "A gente sempre escreve contra a morte", "imaginações monstruosas", "(como dizia Picasso, que a inspiração te pegue trabalhando)". Dois anos desde a leitura e eu ainda sei direitinho porque escrevi cada comentário, porque grifei cada frase. As anotações ainda fazem sentido - essa pergunta parece recorrente: até quando? - mas temo que um dia eu deixe de me lembrar dos motivos que me levaram a cada questionamento. Nem tanto dos práticos, dos profissionais, mas dos pessoais, envolvidos naquela época por um relacionamento intelectual que se foi para sempre.

2 comentários:

Clara Lopez disse...

Vou procurar ler o livro, isabel, só o título já é qualquer coisa...:)
Eu tb anoto nos livros, acho que é vício de trabalho, mas não sei ler sem anotar, comentar ou conversar com o que leio.
um abraço,
clara

Arnaldo disse...

Quando comprei este livro, nunca tinha ouvido falar em Rosa Montero. Estava procurando um presente pra dar a minha mulher e, na estante da livraria, me chamaram à atenção a capa e o título. Comprei, até porque minha mulher é meio maluquinha e achei que teria tudo a ver.

Quando começou a ler o livro, percebi que ela o devorava e aí, não deu pra segurar minha curiosidade. Assim que ela terminou de ler, parei o que estava lendo e passei também a saboreá-lo. Depois, compramos outros livros dela, mas nenhum outro me seduziu tanto quanto este.