quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Deus - um delírio

Deus - um delírio
Richard Dawkins (Companhia das Letras, 2007)

Quando eu contei a um amigo que estava lendo - e adorando - o mais recente livro de Richard Dawkins publicado no Brasil, ele disse: "esse é o tipo do livro inútil. Nenhum ateu precisa dele para confirmar sua descrença e nenhum religioso vai ler". O livro não é inútil: tem, no mínimo, trechos muito divertidos. Mas meu amigo não deixa de ter razão ao notar que essa nova investida de Dawkins não vai convencer ninguém a mudar de time na esfera religiosa.

É capaz de os cristãos passarem diante do livro fazendo o sinal-da-cruz. Crentes, de qualquer tipo, não devem duvidar de que a obra é herética ou de que o pobre Dawkins está fadado a um longo confinamento no inferno: ele trata o criacionismo e toda a série de preceitos morais baseada na Bíblia como lenda, mentiras pré-fabricadas para atender ao poder religioso. Mas quem simpatiza com a idéia de que Deus não existe e que a única forma de religião possível é o darwinismo pode curtir as mais de 500 páginas dedicadas pelo biólogo britânico a provar que a noção de Deus é uma invenção humana e que nada no criacionismo faz sentido. Seu ataque ao conservadorismo americano, por exemplo, traz bons argumentos e informações. Mesmo assim, o livro deixa um gosto amargo no leitor. O que incomoda não é o excesso de panfletarismo ou virulência: é a impressão que o cientista passa de ter usado Deus - um delírio para desforrar-se de desafetos pessoais; não são poucos os parágrafos dedicados a ridicularizar os inimigos.

Um comentário:

FILOSOFIA disse...

Mas, pra minimizar os defeitos, vamos lembrar que a disputa se dá em um terreno quente. O próprio Dawkins passou por situações bem constrangedoras, armadas pelos defensores do criacionismo (em vídeos que estão no youtube). Livros menos panfletários (e melhores, por mais técnicos) são O Relojoeiro Cego e A Escalada do Monte Improvável>