terça-feira, 6 de novembro de 2007

Minha vida de menina

Minha vida de menina
Helena Morley (Companhia das Letras, 1998)

Desde que li Minha vida de menina pela primeira vez, e eu devia ser adolescente na época, enfiei na cabeça que um dia teria de conhecer Diamantina. E nem sei descrever direito a emoção que eu senti quando finalmente pisei na cidade, quando passei pela rua Jogo da Bola, vi a rua Direita e a igreja matriz - parecia que eu estava dentro do livro. Todos esses lugares são tema recorrente do diário escrito entre 1893 e 1895 pela jovem Helena, pseudônimo de Alice Dayrell Caldeira Brant. Há uma tese de que Alice escreveu tudo já idosa, e que seu caderno confessional nunca existiu. Não importa: diário ou lembranças deram origem a uma narrativa envolvente que nos leva de volta ao cotidiano de uma adolescente no final do século 19, seu dia-a-dia entre a casa da avó, que lhe fazia todas as vontades, e o convívio com tias e primos, a ausência freqüente do pai inglês, minerador de diamantes na região, as brigas com os irmãos, a escola, as festas.

Algumas histórias que Helena/Alice conta não saem nunca da minha memória: os uniformes que as tias faziam, o vestido da irmã que apareceu manchado dentro do armário depois da garota rogar uma praga, as mortes emocionantes da avó e de uma antiga escrava, as travessuras que aprontavam na casa da tia. Tenho certeza de que conhecer Diamantina foi mais especial porque eu levei comigo as lembranças de um livro muito, muito querido.

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