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segunda-feira, 28 de junho de 2010

I love your style

I love your style
Amanda Brooks (itbooks/HarperCollins, 2009)

Pelo preço dos livros no Brasil, esta edição americana, impressa num papel bacana e cheia de boas fotos, nem está tão cara: R$ 48,58, um equivalente razoável aos US$ 19,99 originais (sem contar os impostos que se pagam por absolutamente qualquer coisa comprada nos Estados Unidos, e que variam de acordo com o estado; são 7% em Miami). Mas vale, mesmo, por ter sido um dos melhores livros sobre estilo que li nos últimos tempos: é, certamente, um título que eu recomendaria a quem está começando a se interessar pelo assunto, ao lado de The little black book of style, The one hundred e Esquadrão da Moda.

Amanda Brooks, a autora, é uma consultora de moda bem-nascida e de extremo bom gosto que não tem pudor em escrever sobre suas preferências, ainda que polêmicas ("Acho ok usar casacos de pele, mas não estou aqui para sugerir que você deva fazê-lo"), nem de incrementar o livro com várias fotos suas, mesmo que em momentos de vergonha fashion - a galeria da página 24 me fez dar boas risadas ao me lembrar de alguns desastres saídos do meu próprio armário no passado. Mas o melhor de tudo é que, como todo bom livro do gênero, ela não dita regras, e sim afirma, o tempo todo, que cada mulher tem um estilo particular e que o importante, mesmo, é descobri-lo para que seja cada vez mais valorizado.

Ainda assim, Amanda Brooks dá umas diretrizes para quem é perdido no assunto ou para quem quer relembrar alguns conceitos. Começa por dividir o livro em capítulos sobre os estilos clássico, bohemian, minimal, high fashion, street e eclético - acho que sou uma mistura do eclético com o clássico, embora aqui e ali use umas flores exageradas na lapela e capriche nos sapatos diferentes; são marcas do meu estilo. No fim, fala sobre diversos jeitos de comprar: roupas básicas, em brechós, em lojas de design e redes de marcas mais populares. Tudo isso ilustrado por centenas de fotos, preto-e-branco e coloridas, em que aparecem, além dela própria, gente como Jacqueline Kennedy, Sofia Coppola, Bianca Jagger, Chloë Sevigny, Catherine Deneuve, Audrey Hepburn, Agyness Deyn, Kate Moss, Angelina Jolie e tantas outras. Não porque elas são lindas ou magérrimas ou ricas, mas porque têm estilo, porque sabem se vestir de acordo com a própria personalidade. Tem mais: ao final de cada capítulo há uma série de indicações inspiradoras de livros e filmes.

Quando comecei a ler o livro e vi a quantidade de fotos da autora, achei que ia encontrar mais um daqueles volumes feitos só para afagar o ego de quem escreve - e, por consequência, achei que ia detestar a leitura. Ao contrário, adorei: é preciso uma autoestima enorme, o que é bem diferente de um ego inflado, para colocar-se no lugar de outras mulheres e admitir que isso pode ficar bem em você, mas não fica em mim. É o que faz Amanda Brooks, para sorte de quem sabe que vestir-se de acordo só faz aumentar o prazer da gente ser a gente mesma.

domingo, 20 de junho de 2010

Beauty in bloom

Beauty in bloom
Natalie Bloom (Allen & Unwin, 2008)

Este livro é como aquelas propagandas de perfume importado exibidas nos canais da TV a cabo: lindas e sem importância nenhuma. Mas tenho um fraco por livros lindos, ainda mais quando tratam de pequenos prazeres, como sapatos, maquiagem, elegância, gente bonita. Pena que a relevância, aqui, seja realmente zero, principalmente pra quem, como eu, está tarimbada na leitura de obras mais consistentes a respeito de estilo.

A autora australiana, eu só soube durante a leitura, é dona de uma marca de cosméticos batizada com seu sobrenome - daí o trocadilho no título. Ou seja: tinha tudo pra dar dicas bacanas de cuidados com a pele, o corpo, já que é disso que se trata. Mas, embora ela não fique o tempo todo fazendo propaganda de sua empresa, o que já é boa coisa, pouco se aproveita de seus textos óbvios e cheios de clichês, na linha "beleza é indefinível, nada que se possa comprar", "viva rodeada de tudo o que você ama" ou "atitude positiva é sua luz interior; deixe que ela brilhe". Acho que só gostei de saber como são feitas flores de origami e de aprender um pouco sobre as diferentes texturas de maquiagem (matte, sheer, shimmer, satin, gloss). Ok, é fútil, mas eu já sabia desde o começo que era uma leitura fútil. E, pelo menos, o livro é bonito.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Confidencial

Confidencial - Segredos de Moda, Estilo e Bem-Viver
Costanza Pascolato (Jaboticaba, 2009)

Já fazia tempo que eu estava de olho neste livro - mas, ao mesmo tempo, eu tinha feito o propósito de tentar não comprar nada até o fim do ano, pra ver se dava conta de ler pelo menos alguns dos títulos empilhados em minha casa. Acho que bati meu recorde: fiquei 139 dias sem gastar dinheiro com livros pra mim (comprei alguns pra dar de presente, li uns quatro ou cinco dos antigos). Mas entrei em férias na semana passada e esse foi o melhor pretexto que encontrei para ir à Livraria Cultura e sair de lá com a Costanza debaixo do braço.

Só que eu achei - talvez tenha lido em algum lugar, quando o volume foi lançado, ou foi só wishful thinking - que a porção autobiográfica da obra seria maior que a parte de, vá lá, e com as devidas aspas, "autoajuda fashion". Ok, estou exagerando: não se trata de um manual de estilo como, por exemplo, o ótimo The little black book of stile (autoajuda fashion de primeira). E, que pena, tampouco fala da vida de Costanza como eu gostaria de saber, como biografia, mesmo.

Eu queria ler mais sobre a vida de Costanza Pascolato porque essa mulher é, para mim, o maior exemplo brasileiro de elegância e postura - fora que usa um perfume delicioso, que não diz a ninguém qual é (eu, pelo menos, nunca soube que tenha dito). Mas se faltam detalhes sobre sua trajetória (ela diz, en passant, que nasceu na Itália, veio pro Brasil ainda criança, trabalhou como editora de moda na Abril, hoje cuida da tecelagem da família, viaja muito a trabalho, nada do que eu já não soubesse), ela capricha em alguns conselhos para o, como diz, bem-viver. Alimentar-se corretamente, fazer exercícios (o dela é o pilates), fotografar-se em vários ângulos para descobrir que tipo de roupa fica melhor em seu corpo, manter uma disciplina ferrenha para conseguir o que deseja. Também lista modelos clássicos (a camisa branca, o terno bem-cortado, as pérolas, coisas que o também ótimo The one hundred explora melhor), fala da importância da maquiagem, de espiritualidade e do que talvez seja seu principal "segredo": tratar bem as pessoas, não importa quem sejam elas.

Dá pra ler em dois dias, uma leitura leve, que pode ser enquadrada na categoria "autoajuda" deste blog: livros que, com informações úteis e conselhos factíveis, ajudam a gente a se sentir melhor na própria pele.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

A year in high heels

A year in high heels
Camilla Morton (Harper USA, 2008)

Livro bem bobinho, para equilibrar o mês difícil e o volume denso (The corrections) que estou lendo. Eu já tinha ouvido falar da obra anterior de Camilla Morton - How to walk in high heels -, que imaginei ser mais um título interessante para quando eu quisesse incrementar minha estante excêntrica sobre estilo. Portanto, quando ganhei de aniversário um Jamie Oliver repetido, resolvi tentar a troca. Como só encontrei esse A year in high heels, arrisquei.

E ainda bem que não gastei meu rico dinheirinho no livro. Mas é que a capa está cheia de desenhos de sapatos, e um aviso diz que o prefácio é do Manolo Blahnik... Eu devia ter desconfiado pelo subtítulo: The girl's guide to everything from Jane Austen to the A-list - na pressa, não reparei que estava escrito "A-list" (achei que fosse "A-dress") e não me liguei que já passei da idade de ler qualquer "girl's guide". Em doze capítulos que correspondem aos meses do ano, Camilla Morton faz uma mistureba. Tem sugestões de livros (Perfume, Rebecca, O grande Gatsby, A revolução dos bichos...), a "cartinha" de alguns famosos sobre seus lugares preferidos no mundo (Gisele Bündchen em Los Angeles, Giorgio Armani em St. Tropez, Christian Louboutin no Egito...), a musa do mês (Ella Fitzgerald, Coco Chanel, Cleópatra, Marilyn Monroe...) e efemérides, várias efemérides, que servem de pretexto para que ela ensine a organizar uma festa, escolher um vestido de casamento, gravar um podcast.

Ótima pedida para aspirantes a Bridget Jones e Carrie Bradshaw. Não é o meu caso.

domingo, 21 de junho de 2009

Kelly

Kelly
Paul Duncan e Glenn Hopp (Taschen, 2007)

A loja da Taschen na rue de Buci, em Paris, tinha diversas mesas com promoções inacreditáveis. Pena que, por falta de espaço e de suficientes traduções para o inglês, não dava para trazer tudo o que eu gostaria. Por 2,49 euros havia vários títulos trilíngues (inglês, francês e alemão) dessa coleção "Movie icons", livros com breve introduções histórico-cinematográficas do ator/atriz em questão e quase 200 páginas de uma cinebiografia fotográfica. Eu quase trouxe também a do Marlon Brando, mas no final me decidi por Grace Kelly porque nunca é demais ter um livro de fotos de uma das mais lindas e estilosas atrizes que o cinema já viu - quem sabe ela serve de inspiração?

Descobri que a carreira de Grace Kelly no cinema durou apenas cinco anos e onze filmes. Deu vontade de ver Mogambo e de rever Janela indiscreta, Disque M para matar, Ladrão de casaca. Alta sociedade eu revejo sempre, adoro o filme e a trilha sonora - e gosto, por mais que ela tivesse um fiapo de voz, da gravação de True love que ela divide com Bing Crosby. É difícil saber em que filme de Hitchcock Grace Kelly está mais bonita e bem-vestida: Ladrão de casaca ou Janela indiscreta? (Disque M para matar não entra no páreo porque não tinha Edith Head como figurinista.) É, diante de tanta foto bacana, não tem como não pensar: eu devia ter trazido também o livrinho com o Marlon Brando.

domingo, 31 de maio de 2009

O pequeno dicionário da moda

O pequeno dicionário da moda
Christian Dior (Martins Editora, 2009)

Minha cabeça de editora questiona três coisas depois de ter lido este livro. 1) Por que os verbetes estão com o nome em inglês, seguidos da tradução em português? É péssimo para consultar - e trata-se, afinal, de um dicionário. (Ok, existe um sumário, nas últimas páginas, com os termos em português, em ordem alfabética.) 2) Por que imprimir péssimas fotografias preto-e-branco, ainda mais num papel que não ajuda nada a melhorar a qualidade das imagens? 3) Por que, nas legendas, fazer referência aos vermelhos, verdes e amarelos das roupas, se tudo aparece num cinza feio e sem vida? Que ficassem apenas as ilustrações, e sem referência às cores inexistentes.

Tem outra coisa que me incomoda: propaganda enganosa. A quarta capa do livro diz com todas as letras que ele ensina a, entre outras coisas, "amarrar uma echarpe" - assunto que me interessa muito. Pois li de A a Z e não existe informação alguma sobre como dar um mero nó nesse lenço comprido. O dicionário de Christian Dior deve ter tido sua utilidade nos anos 50, quando foi lançado. Lido hoje, não traz nenhuma informação inédita para quem está acostumado aos ensinamentos de Trinny e Susannah ou já absorveu os ótimos conselhos de Nina Garcia. Todos os autores, na verdade, falam sobre a mesma coisa; a mais importante prega que elegância e simplicidade andam juntas. Pena que a editora de O pequeno dicionário da moda não o tenha lançado com fotos mais bacanas e coloridas. Seria uma maneira de preservar, belamente, as referências escritas por um dos maiores estilistas que o século 20 conheceu.

domingo, 19 de abril de 2009

The little pink book of elegance

The little pink book of elegance
Jodi Kahn (Peter Pauper Press, 2005)

Fazia tempo que eu não escrevia sobre um livrinho de estilo. Já conhecia essa série do The little black book of tea - de outra cor, tudo bem, mas com a mesma pegada: projeto gráfico bacana e o básico sobre o assunto. No caso, elegância , tratada em capítulos sobre roupas, acessórios, comportamento, festas, organização. E, fiquei passada, até higiene. Nunca pensei que hoje ainda exista gente que precise ser avisada para tirar a maquiagem à noite e para lavar os cabelos com frequencia.

Como quase todo livro do gênero, The little pink book of elegance tenta convencer as mulheres que elegância pode, sim, ser conquistada - vai depender principalmente de sua autoconfiança. Nariz grande? Pescoço curto? Pernas finas? Tudo bem. Com segurança e uma ajudinha da roupa certa (i.e., a que valoriza seus pontos fortes e esconde os fracos), cabeça erguida e a certeza de que por baixo daquela calça-e-blusa você está vestindo uma lingerie linda, a parte visual está resolvida. A outra - a que define a verdadeira elegância - está nos pequenos gestos e atitudes, em palavras mágicas como "por favor", "obrigada", "bom dia", "como vai?". E se tem gente que precisa de um toque pra lavar os cabelos todo dia, tem muito mais que se beneficia de conselhos como esse: a prática da gentileza.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

The meaning of sunglasses

The meaning of sunglasses
Hadley Freeman (Viking UK, 2008)

Eis um livro muito divertido para quem lê bem em inglês, acha graça no humor britânico e conhece minimamente as pessoas (estilistas, modelos, ícones) e os termos (boot cut, ankle boot, g-string) do chamado mundo fashion. Mesmo para quem se deixou levar pelo subtítulo, A guide to (almost) all things fashionable, e percebeu que, de guia, esse pequeno volume não tem nada.

Organizados em ordem alfabética, os verbetes tratam, na maioria das vezes, da opinião quase sempre ácida da autora sobre, por exemplo, babados ("from French ingénue to Bozo the clown"), casacos de pele ("bad, and definitely a little bit nazi"), manicure e pedicure ("and the ever-raising bar of personal upkeep"), desfiles de moda ("Darwin in motion"). No meio de tudo isso, entre uma risadinha irônica e uma sobrancelha levantada pela dúvida, dá pra encontrar tiradas valiosas - como as que eu traduzo livremente a seguir.

"Cantemos a uma só voz, meninas: uma bolsa nunca nos deixa gordas."

"Ao contrário do que sua mãe sempre disse, o nível de vulgaridade numa roupa não tem nada a ver com a barra curta, o salto alto ou a saia apertada: tem a ver com a obviedade da mensagem."

"O motivo das mulheres amarem bolsas é o mesmo de amarem sapatos: eles não fazem ninguém ficar mais gorda, você não precisa tirar a roupa para experimentá-los, tamanho não faz diferença (ou pelo menos não tem relação nenhuma com sua barriga) e eles nem sempre ficam melhores na Kate Moss do que em você - o que é tudo praticamente a mesma coisa, dita de quatro maneiras diferentes."

"Eis o que uma bota deve fazer: mantê-la aquecida, cair bem, facilitar a locomoção e ser confortável. Eis o que uma ankle boot faz: absolutamente nada disso."

"Exceto por shorts, algumas minissaias e uma jaqueta informal, denim devia ser usado somente em jeans."

sábado, 24 de janeiro de 2009

The fashion book

The fashion book
Phaidon Press, 2008

Estilistas, chapeleiros, fotógrafos, modelos, ícones, joalheiros, alfaiates, ilustradores, cabeleireiros, sapateiros, designers de tecido, criadores de cosméticos. De Coco Chanel a Kurt Cobain, de Cindy Crawford a Paul Poiret, de Ralph Lauren a Helena Rubinstein. Todo mundo que importa ou já foi relevante para a indústria da moda desde meados do século 19 até o final dos anos 90 está aqui (a edição é recente, mas o material não é; de Gisele Bündchen, por exemplo, não há nem sinal de fumaça, e ninguém fala da criação da Marc by Marc Jacobs, em 2001. Mas são poucas ausências notáveis).

Compilados em ordem alfabética e sempre acompanhados de belas fotos ou ilustrações, os 500 verbetes trazem alguns dados biográficos básicos do sujeito em questão e um pequeno apanhado de sua importância fashion. Christian Dior inventou o new look, Azzedine Alaïa instituiu o stretch, Diane Von Fürstenberg amarrou as mulheres nos wrap dresses. São informações relevantes? Bem, eu vivo de informações, conheço seu valor e sei o quanto fazem diferença pra gente se sentir melhor, seja ao se vestir, ao sair pra ver um filme, ao entrar na cozinha ou pegar um livro pra ler. Portanto, pra quem gosta de se sentir confortável na própria pele - e isso inclui o que vai sobre ela -, acredito que sim, são informações relevantes (e olha que nunca vou comprar uma pecinha sequer de Stella McCartney, Yohji Yamamoto ou Christian Louboutin). Além disso, o livro está cheio de fotos belíssimas e de figuras muito interessantes. Já fiquei com vontade de procurar as biografias de Cecil Beaton, de Richard Avedon e de Estée Lauder, a fabricante do perfume que eu uso há mais de dez anos.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Manual de estilo

Manual de estilo
Ana Cury (CosacNaify, 2005)

Comecei a escrever esse blog por sugestão da muito querida Mari, que estava organizando um site cultural e me pediu sugestões literárias. Gostei da ideia porque livros talvez sejam meu assunto preferido, mas também porque eu sou muito, muito chata, e achei que num blog poderia reclamar dos defeitos que encontro tantas vezes nos livros que compro; acho que os dois piores casos estão aqui e aqui.

Eu trabalho em uma das maiores empresas de comunicação do país. Sou responsável pela edição de publicações que, quando saem com erros, podem causar muita dor de cabeça aos leitores. Minha equipe funciona em estado constante de alerta, nosso empenho na checagem das informações é super rigoroso e, mesmo assim, é inevitável: erros acontecem. Um nome digitado com a grafia errada. Um telefone que mudou. O prazo apertado que não permitiu uma revisão mais profunda. Uma droga. "Errar é humano" é muito fácil de dizer para os outros, mas difícil de assimilar quando você sabe que vai amargar a sensação de que talvez pudesse ter evitado o erro.

Tudo isso para dizer que, mesmo conhecendo de perto a probabilidade de erros, acho inconcebível que eles apareçam numa publicação como esse Manual de estilo, lançado por uma editora que respeito, e que li hoje de uma sentada, na Fnac Pinheiros. O primeiro desaforo: o livro estava shrinkado, envolto em plástico transparente. Eu não tive dúvida em arrancá-lo. Como é que poderia comprar um livro de R$ 60 sem saber do que se trata? Tirado o shrink, aparece o erro de conceito: de manual, ele não tem nada. É um trabalho bonito, fotos de belas modelos vestindo belas roupas, com páginas recortadas para que a parte de cima de uma produção possa ser vista com a parte de baixo de outra - assim os looks se multiplicam. O caso é que, para ser manual, teria que vir com dicas, regrinhas, princípios. Não vem; no máximo, compila meia dúzia de conceitos batidos sobre moda (que, ahá, não é a mesma coisa que estilo). Trata-se, na verdade, de um grande editorial, e datado; mas você só vai descobrir que a autora fala de tendências para 2005 se tiver curiosidade de ler a ficha catalográfica, como eu tive.

Por fim, o que me deixa com mais raiva. A cada duas páginas há um textinho de, no máximo, duas frases curtas. E, nelas, erros como "a bermuda é um acaso à parte", "tons pásteis", "tricô e um colar vai bem". Não dá pra dizer que foi erro de digitação. Nem que houve revisão. E, certamente, dada a qualidade da produção fotográfica, dinheiro não faltou para isso.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Secrets of style

Secrets of style
In Style magazine (In Style Books, 2005)

Outro livro basicão e bacaninha sobre estilo, roupas clássicas, como comprá-las, identificar sua qualidade, aprender a tirar proveito delas de acordo com o tipo de corpo etc etc etc - não tem a mesma graça de The little black book of style e The one hundred, nem o humor de Trinny e Susannah, mas serve como um bom guia para quem está começando a se inteirar do assunto.

Para mim, o divertido ao consultar esse livro é me lembrar de algumas roupas que já tive e que marcaram minha vida para o bem ou para o mal. Um vestido cor-de-rosa, de tafetá, que usei no aniversário de 15 anos de uma amiga (era um desastre fashion típico dos anos 80 e me dá uma certa depressão lembrar dele, mas o lado bacana foi que minha mãe fez questão de mandar fazer o vestido que eu queria, sem tirar nem pôr); um conjuntinho de saia e twin-set amarelo (mais ou menos da mesma época, e que eu amava); tênis all-star de cano longo, também amarelo; uma época de keds branco com vestidinhos soltos e floridos que me engordavam pra caramba; uma saia preta longa maravilhosa que eu me dei de presente de natal e usei meia dúzia de vezes; uma calsa fuseau de veludo laranja (!!!); o short cru e a camiseta regata colorida usados no réveillon que deu origem a um longo relacionamento; o casaco azul e vermelho da GAP que eu comprei pela metade do preço, perdi num incêndio (isso mesmo) e acabei comprando de novo, pagando afinal o preço inteiro; meu primeiro casaco de camurça; as camisetas da finada Philippe Martin (era isso mesmo?), incluindo uma camisa verde e cor-de-laranja que eu usava em parceria com meu irmão; uma camisa de patinhos que eu também dividia com meu irmão; uma calça fuseau preta que eu usava com a camisa de patinhos; o vestido de veludo azul estampado que usei, aos 8 anos, no casamento do meu padrinho; um vestido preto e decotado, também de veludo; uma camisa pink que usei horrores, já nos anos 2000... Eu poderia ter escrito a primeira frase de A louca da casa: "Estou acostumada a organizar as lembranças da minha vida em torno de um rol de namorados e livros." Mas eu incluiria também as roupas.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

The science of sexy

The science of sexy
Bradley Bayou (Gotham, 2007)

Embalada por minha recente mania de ler livros sobre estilo, encomendei dois volumes pela Amazon que seriam entregues nos Estados Unidos e trazidos para mim por uma querida e abnegada portadora. Um deles, The science of sexy, veio mesmo porque custava só US$ 5,99 e tinha o aval de quatro estrelinhas dos usuários da Amazon. E qual não foi minha surpresa quando abri o referido e encontrei, em diversas páginas, papeizinhos soltos e post-its grudados com anotações. Já aconteceu de eu encontrar "presentinhos" em livros comprados em sebos - eis um bom exemplo. Mas em livro novo, nunca vi.

The science of sexy se presta mesmo a anotações. Seu ponto alto é o método "científico" criado pelo autor para, a partir de dados como altura, peso, medidas dos ombros, do peito, da cintura e dos quadris, encaixar cada mulher em um de 36 tipos físicos possíveis. Baixinha, magrinha e em forma de ampulheta; baixinha, gordinha e em forma de triângulo invertido; altona, gordona e em forma de retângulo - as combinações vão longe. Eu sei, entre outras coisas, que meu livro já passou pelas mãos de alguém que tinha 42 polegadas de ombros e 38 nos quadris. E que ficava entre o triângulo e a ampulheta.

Por diversão - porque o livro não está estragado nem mal conservado -, mandei um email para a Amazon dizendo que, da próxima vez, eles poderiam avisar caso eu esteja comprando algo já usado. Recebi uma dessas respostas automáticas que dizia "sentimos muito, que pena etc, você pode a) clicar aqui para efetuar a troca do produto; b) clicar aqui para que mandemos uma compensação financeira de US$ 2, entre 10% e 20% do valor original". Considerando que eu paguei US$ 5,99 e eles erraram no cálculo da porcentagem, não seria má idéia. Mas eu prefiro manter meu livro cheio de post-its alheios.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Papiers à la mode

Papiers à la mode
Isabelle de Borchgrave e Rita Brown (CosacNaify, 2008)

Eu preciso arrumar um tempo para ver a exposição Papiers à la mode, em cartaz no museu da Faap. Já tinha me animado ao ler uma matéria no jornal sobre o trabalho de Isabelle de Borchgrave; depois desse livro, então, o programa tornou-se urgente. É como se eu precisasse ver de perto todas as roupas da mostra para ter certeza de que são mesmo feitas de papel.

Porque é isso que Isabelle faz: reproduz, com apenas dois tipos de papel e em tamanho natural, roupas criadas desde os anos 1500 até os dias atuais. Há uma ou outra peça masculina - como uma casaca de 1760, arrematada com um foulard -, mas a maioria são vestidos arrebatadores. Rendas, bordados, babados, plissados, seda, veludo, voile, algodão, tudo é recriado com tamanha minúcia e precisão que, bem, parece de mentira. Faap, aqui vou eu.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Classic make-up & beauty

Classic make-up & beauty
Mary Quant (Dorling Kindersley, 2007)

Já fazia algum tempo que eu não chorava tanto quanto na noite passada. O choro de tristeza é pior do que o choro de raiva, o da dor física e, claro, o da alegria e o da emoção. Parece que deixa marcas mais fundas, abre rugas que teimam em não fechar nem com cremes moderníssimos, transforma lágrimas e secreções num só jorro salgado que ao mesmo tempo alivia e causa repulsa.

Portanto hoje, quando acordei, o espelho denunciou as marcas do choro e da noite mal dormida. E eu só consegui adquirir segurança suficiente pra levantar a cabeça e sair para o trabalho depois de meia hora usando os truques desse livro para desinchar os olhos e dar ao rosto uma aparência menos abatida. Classic make-up & beauty ensina, com centenas de fotos e passo-a-passos instrutivos, como reconhecer seu tipo de pele, passar blush, pintar direito os olhos para valorizá-los e aumentá-los - foi a minha salvação matinal. Então eu descobri que maquiagem, além de muito importante para o meu bem-estar, pode ser de ajuda fundamental nos dias em que a tristeza parece estampada na cara.

domingo, 19 de outubro de 2008

The little black book of style

The little black book of style
Nina Garcia (Harper USA, 2007)

Gostei tanto do The One Hundred que pedi à querida Rosie que trouxesse pra mim, dos Estados Unidos, esse primeiro livro de Nina Garcia. Ótima leitura sobre moda e estilo. Assim como na obra de 2008, a autora não está interessada em ditar regras e dizer o que cada um deve vestir em qual ocasião. Ao contrário: Nina encoraja os leitores a pensar sozinhos, seguindo alguns conceitos básicos que ajudam não só na hora de abrir o armário, mas também no momento de sair para fazer compras.

Por exemplo: arrume, sem dó, seu guarda-roupa. Doe tudo aquilo que não usa há anos, que não serve mais, que não cai bem. Uma prateleira com cinco camisetas bacanas é melhor do que uma com 25 que você não quer usar. Ao falar sobre sapatos, acessórios, misturas interessantes, como lidar com seus pontos fracos, no que vale a pena investir, Nina Garcia prova que criar um estilo próprio ajuda, sim, a aumentar sua confiança e auto-estima. Importantíssimo.

domingo, 5 de outubro de 2008

Sapatos

Sapatos
Linda O'Keeffe (H.F. Ullmann, 2008)

Esse livro só tem dois defeitos: o formato, muito pequeno, e o português, de Portugal. Pois merecia virar coffee table book e ter o idioma abrasileirado, já que, como em outros assuntos, o vocabulário referente a sapatos nem sempre é o mesmo nos dois países. De resto, está tudo ali: a história dos calçados, os modelos que marcaram época, os principais designers do gênero no mundo e muitas, muitas fotos.

Quando eu morava em Nova York, um outdoor sensacional dizia: Every woman has a little Imelda inside. Eu não fujo à regra. Sei muito bem de onde vem minha obsessão por sapatos e, até certo ponto, consigo controlar a mania - pago mais do que a média por um par apaixonante, mas não sou do tipo que gasta uma pequena fortuna com Manolos, Louboutins, Viviers e Ferragamos. A respeito deles, o jeito é me contentar com as fotos...

domingo, 21 de setembro de 2008

The one hundred

The one hundred
Nina Garcia (Collins, 2008)

Estou longe de ser fashionista ou de seguir a ditadura da moda, mas confesso que tenho adorado os livros sobre o assunto. Como sabiamente disse um amigo meu, é só depois dos 30 anos que a gente aprende de verdade a se vestir, a saber o que cai bem, que peças nos valorizam, o que evitar e assim por diante - e isso só acontece graças ao acúmulo de informações adquiridas ao longo do tempo e às dezenas de fotografias que nos mostram naquelas irreverentes, necessárias e despreocupadas roupas da juventude (se você passou por isso nos anos 80 e começo dos 90, o trauma é maior).

Informações, e não regras, mudaram a maneira com que eu me visto. Se eu sei que listras horizontais engordam, procuro evitá-las. Se eu sei que gola alta não favorece o meu colo, uso decotes em V. Tudo é válido para que eu me sinta bem dentro da roupa que estou usando no lugar em que trabalho, num bar ou restaurante, na festa de família. Nina Garcia colabora para isso ao elencar as 100 peças que, em sua opinião, vão se manter sempre em alta, não importa o modismo atual: o pretinho básico, um casaco caramelo, jaqueta jeans, meias pretas opacas... Qualquer uma delas, porém, deve ser usada de acordo com o seu tipo físico, seu estilo de vida, sua personalidade. Eu, por exemplo, ficaria ridícula numa saia de oncinha. Mas encher o braço de pulseiras diferentes, coloridas e barulhentas até que não é má idéia...

domingo, 13 de julho de 2008

Plastic surgery without the surgery

Plastic surgery without the surgery
Eve Pearl (Warner Books, 2004)

Basta encontrar um/a ator/atriz ou modelo ao vivo para sacar, cara a cara, o que a maquiagem é capaz de fazer - eles nunca têm aquele rosto perfeito que aparece nas telas da TV ou nos anúncios das revistas. Munido dos pincéis certos, cremes, pós e quetais, os maquiadores profissionais conseguem fazer sumir olheiras, diminuem o tamanho dos narizes, aliviam papadas e rejuvenescem a pele.

Eu sempre fui uma tapada com sombras, blushes, bases e corretivos. Aí encontrei esse livro numa Barnes & Noble de Nova York. Comprei porque tem várias fotos e séries de passo-a-passo que ensinam - ou tentam ensinar - gente como eu a corrigir imperfeições da pele, valorizar os olhos, aumentar os lábios e até disfarçar tatuagens. Não, eu não quero apagar a minha tatuagem. Mas foi bacana descobrir que, com os pincéis certos e as sombras nos tons que me favorecem, eu me olho no espelho de manhã com muito mais alegria.

sábado, 10 de novembro de 2007

Esquadrão da moda

Esquadrão da moda
Trinny Woodall e Susannah Constantine (Global, 2005)

Livro de auto-ajuda é isso aí: muda a vida da gente. Trinny e Susannah são duas inglesas que apresentam um programa sobre moda na televisão (foi exibido no Brasil pelo canal People & Arts, não sei se continua no ar). E o bom das duas é que, longe do fashionismo imperante em revistas e projetos do gênero, elas partem da mulher real para mostrar como, mesmo com corpos imperfeitos e gostos às vezes duvidosos, a gente pode, sim, se sentir melhor nas roupas que usa. Favorece a figura, denota cuidado, impõe respeito e, o principal, aumenta a auto-estima.

As duas autoras - Trinny alta, esquelética, sem peito nem bunda, Susannah mais baixa, gordinha, no gênero voluptuosa - posaram para todas as fotos do livro exemplificando diversos tipos físicos: a reta, a peituda, a gorducha, a perna fina, a pescoçuda e várias outras. A partir daí, dizem o que cai bem, o que cai mal, que cores podem favorecer, e quando a gente vê está testando as dicas delas, e vendo que funciona de verdade, até que um dia, voilà, somos novas mulheres mais seguras de si dentro da roupa que nos veste. Um ótimo complemento para o livro é outra obra das mesmas autoras: O que suas roupas dizem sobre você?, que também fala de tipos físicos mas, principalmente, orienta a maneira de vestir a partir de modos de vida: a mulher que vive em função dos filhos, a executiva, a de meia-idade, a esportista, a gatinha...