domingo, 15 de junho de 2008

Auto-engano

Auto-engano
Eduardo Giannetti (Cia. das Letras, 2005)

Eduardo Giannetti é a maior fonte de epígrafes para os livros que eu não vou escrever, e contribui não só com idéias próprias como com frases dos outros - "É doce manter nossa mente fora do alcance daquilo que a fere", de Sófocles, está entre as minhas preferidas e resume muito bem o espírito do livro. Essa minha pequena edição de bolso tem centenas de marcações, parágrafos sublinhados e anotações numa letra tremida que eu às vezes peno para decifrar, ou que remetem a sei lá quais pensamentos andavam povoando minha cabeça na época da leitura (eu devia começar a marcar também quando um livro é lido, e não apenas quando é comprado).

Porque é fácil a cabeça encher-se de idéias e reflexões a partir das idéias e reflexões de Giannetti. Auto-engano mostra como a condição do título é vital para seguirmos em frente. Dos disfarces animais como forma de defesa ou ataque às mentiras e afirmações que impomos a nós e aos outros, todo ser vivo precisa de ilusões. Difícil é encontrar o balanço adequado entre o engano produtivo e o engano covarde.

Nenhum comentário: