segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Os irmãos Karamabloch

Os irmãos Karamabloch
Arnaldo Bloch (Companhia das Letras, 2008)

Sempre gostei de ler o Arnaldo Bloch no site de O Globo (até o jornal fechar o acesso online aos não-assinantes) e de vez em quando ainda vejo seu blog. Por isso fiquei animada quando soube que é ele o autor de uma biografia dos irmãos Bloch - Karamabloch, nas palavras de Otto Lara Resende. Fundada por Adolpho Bloch, a revista Manchete fez parte da minha infância; a edição da semana batia ponto na casa de meus avós. E, vai saber por que a memória guarda essas coisas, ainda me lembro direitinho de uma capa publicada em 1979, quando Leonel Brizola voltou do exílio.

Os irmãos Karamabloch é um livro bacana. Mas podia ser muito melhor. Numa família com tanta história boa e gente interessante, até entendo a necessidade do autor em focar-se numa só figura, sob pena de escrever uma bíblia. O caso é que, em apenas 300 e poucas páginas, muita coisa acaba se perdendo. (Uma dúvida que não me sai da cabeça: que fim levou Liova, depois que os irmãos chegaram ao Brasil? Voltou a Salvador e acabou morrendo lá?) Eu mesma não sei como resolveria esse problema - para falar de Adolpho e suas realizações é necessário, sim, falar de Joseph e seus irmãos. Mas será que o livro precisaria voltar tanto no tempo? Ou dedicar tanto espaço às lembranças de Leonardo? E do próprio autor? Não sei. Não sei como eu faria. Mas Arnaldo Bloch bem que poderia lançar outro volume da saga familiar, com as histórias que ficaram de fora.

2 comentários:

Arnaldo disse...

Salve Isabel! Eu quis conceber um romance, uma saga familiar. Curiosamente, muita gente acha o mais forte do livro a fase de Jitmoir... outros leitores se deliciam com as memórias de várias vozes er com Leonardo personagem. O livro deve ser lido com uma cadência. Se eu tivesse optado por um arrazoado completo de histórias, o aspecto literário, a cadência e a agilidade se perderiam. Quanto a Leon, quis retratar justamente a maneira como a família o abandonou. Mas concordo que é um personagem cujo destino poderia ser mais trabalhado. Quem sabe numa futura edição ampliada. Enfim, cada qual tem suas preferências e suas escolhas, expectativas. Obrigado pelo seu comentário.

Isabel Pinheiro disse...

Arnaldo, é uma honra saber que você leu meu comentário sobre seu livro. Aguardo ansiosa pela saga Bloch volume II... :-) Um abraço