quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Bilac vê estrelas

Bilac vê estrelas
Ruy Castro (Companhia das Letras, 2000)

Há alguns anos, eu e um querido amigo começamos a preparar uma edição revisada de O momento literário, um livro do João do Rio publicado talvez em 1908. Na virada do século, João do Rio escolheu trinta e poucos escritores relevantes da época e a todos entrevistou com cinco perguntas, entre elas "quais foram suas influências literárias" e "o que você acha da intersecção entre o jornalismo e a literatura" (ou algo do gênero). Mas o bacana de O momento literário nem são as respostas, algumas chatíssimas, e sim ver que tipo de figura formava o mundo cultural carioca há 100 anos - houve espaço até pra um maluquete que acabou (merecidamente) sumido, um sueco chamado Magnus Söndahl.

Eu e meu amigo investigamos e escrevemos um miniperfil de cada autor entrevistado por João do Rio. E um deles, o padre Severiano de Resende, não é outro senão o modelo usado por Ruy Castro para um dos personagens de Bilac vê estrelas: o padre Maximiliano da Gama. Quem lê esse pequeno romance, parte de uma coleção policial que previa escritores famosos como protagonistas, vai entender por que só ele, entre tantas outras figuras da época, aparece disfarçado com pseudônimo. De resto, estão lá vários medalhões do mundo literário na Belle Époque carioca: Medeiros e Albuquerque, Coelho Neto, Emilio de Menezes, José do Patrocínio, quase todos envolvidos numa trama mirabolante em que Olavo Bilac se vê no papel de detetive. Levinho e inofensivo, e mais divertido para quem conhece ou já ouviu falar desse monte de escritores do passado.

7 comentários:

Rogério/Ruy disse...

Isabel, fiquei curioso: essa edição revisada de "O Momento Literário" saiu? Bjs.

Isabel Pinheiro disse...

Ruy, eu te mandei um email pra falar sobre isso. Bjs

Anônimo disse...

Acho melhor você estudar antes de falar besteira... Magnus Sondahl, que era Islandês, foi um revolucionário que tentou mudar o mundo a sua volta. Quem conhece a sua história logo se apaixona por seu entusiasmo pela vida e preocupação com o bem comum. Magnus Sondahl hoje é nome de rua em Curitiba e você pode ver sua foto pendurada em lugar de destaque no templo da Fraternidade Rosacruz do Brasil no Rio de Janeiro. Abaixo parte da justificativa do Vereador Jorge Bernardi quando da propositura da nomeação do logradouro...

"Um nome anônimo, pelos pradrões ditados pela globalização da informação, porém, deixou sua contribuição em vários setores da cultura, que, ao homenagear esta personalidade, a cultura também estará presente, tendo em vista tamanha proximidade entre ambos.
Em anexo, relato completo das atividade do Dr. Magnus Söndahl, professor e Engenheiro Civil mas, por mais que se fale da pessoa do homenageado, sempre faltará algo a dizer, pois o escrito não satisfaz totalmente as ações deste homem que quis transformar o mundo, não pelas armas, mas sim pela cultura."

Enfim, vai ver BigBrother que tem mais a ver contigo...

Anônimo disse...

"Os erros de grandes homens... são mais fecundos que as verdades de pequenos." (Friedrich Nietzsche)

Isabel Pinheiro disse...

Prezado anônimo, é fácil fazer comentários escondido, não? Fica fácil agredir assim.

Isabel Pinheiro disse...

Bonito, anônimo. Teria o maior prazer em conversar sobre tudo isso com você, caso se identificasse. Abraço

Anônimo disse...

Magnus Söndahl:http://www.revistafenix.pro.br/PDF16/ARTIGO_04_ADALMIR_LEONIDIO_FENIX_JUL_AGO_SET_2008.pdf