quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Leviatã

Leviatã
Paul Auster (Companhia das Letras, 2001)

Leviatã, o primeiro Paul Auster que li, me deixou com uma tremenda dúvida: o que faz de um escritor um bom escritor? A história que ele conta ou a maneira como conta? A resposta óbvia é "ambos". Mas pra que simplificar as perguntas literárias? Leviatã (eu ainda não sabia) trata do grande tema austeriano: o acaso que muda a vida de um cidadão comum e que faz com que ele saia por aí à procura de alguma coisa que nem sempre sabe o que é. Gostei. Um a zero para "a história que ele conta".

Daí, sempre no original em inglês, eu li A trilogia de Nova York. Pode até ser que eu tenha me empolgado na época, mas o fato é que não gostei. De alguma maneira, porém, achei o livro bem escrito. Então o jogo empatou. Um a um entre "a história que ele conta" e "a maneira como ele conta". À medida em que fui avançando na obra de Paul Auster, vi que seu tema se repete, muitas vezes em títulos ótimos como O livro das ilusões e Noite do oráculo. E sempre com essa escrita elegante, precisa, uma escrita que me agrada tanto pelo estilo como pela voz.

A dúvida literária segue sem resposta. E se eu colocar ao lado de Paul Auster meu outro escritor vivo preferido, Ian McEwan, deve continuar assim por um bom tempo.

2 comentários:

Anônimo disse...

você ia gostar de uma obra da bienal. double game, da sophie calle. uma das personagens de leviatã, parece, foi inspirada nela, então ela faz várias interferências no livro, como se corrigisse a história pela visão dela. há várias fotos de passagens do livro também.

Clara Lopez disse...

Nossa, eu amo o auster, ainda não li o leviatã, mas já uns 4 livros de gostei de todos, estou aqui com a trilogia na fila. gostei muito de seu post, essa coisa entre a história que se conta e o como contar é uma questão importante na literatura, eu acho.
um abraço,
clara lopez