Bíblia Sagrada(Editora Vida, 2003)
Eu adoro as listas Top 10 do site do Guardian. Agora à noite, sem sono, resolvi xeretar no acervo de quase 300 listas sobre literatura já feitas pelo jornal. E uma delas - Top 10 books in which things end badly - feita pelo escritor Richard Gwyn, começa pela Bíblia, um livro que sempre rondou nossa vida (ou pelo menos a de quem, como eu, cresceu como católico) como exemplo edificante, moralista, os bons vão para o céu e os maus vão para o inferno, faça o bem e receberás o paraíso.
Gwyn fala especificamente do Novo Testamento - como é que pode terminar bem uma história em que o filho acaba sendo crucificado pela vontade do próprio pai? -, mas quando eu vi a lista me vieram primeiro à cabeça algumas histórias do Velho Testamento. Abraão, por exemplo, que é obrigado por seu deus a sacrificar o próprio filho (tá, ele não sacrifica, mas só porque um anjo o redime na última hora). Jó, que sofre um infortúnio atrás do outro. E Moisés, pra mim a pior delas, porque mostra a crueldade com que pode ser recompensada a fé. O cidadão é separado da família ainda bebê, rompe com a família de criação para libertar os escravos judeus do Egito, lidera o povo pelo deserto durante sei lá quantas décadas e quando, finalmente, consegue ver a terra prometida do alto de um morro, seu deus o avisa de que ele vai morrer antes de colocar os pés lá. É o supra-sumo da sacanagem. Concordo com a lista do Guardian: nada pode terminar pior.

