domingo, 22 de março de 2009

A toca da coruja

A toca da coruja
Walmir Ayala (Livros Irradiantes)

Eu nem mesmo tenho certeza se é esse o livro. Mas, quando vi a capa (e foi preciso uma peregrinação pelo Google, numa série de combinações de pesquisas, para encontrar a imagem no Flickr do ilustrador, Gian Calvi), senti uma alegria de túnel do tempo semelhante à que tive quando achei Lili do Rio Roncador numa estante da finada Ática, hoje Fnac. Vou até arriscar e comprar o livro num sebo da Estante Virtual.

Dá um pouco de medo. E se não for a mesma obra que eu ganhei aos 8 anos, quando uma tia foi me visitar depois de eu ter passado por uma cirurgia na garganta, no nariz e no ouvido? E se dentro dele eu não encontrar os versinhos de cumprimento oi boi catibini boi salamenti toni que é difini foi? E se não for nessa história que o tio de algum personagem se tranca num quarto escuro e enlouquece ao ficar ouvindo apenas os ruídos de seu corpo?

É claro que eu posso estar misturando histórias diferentes - um velhote que se tranca no quarto e enlouquece porque ouve apenas os ruídos do próprio corpo não parece um personagem adequado a um livro infantil. Mas eu tenho certeza de que ele existiu, tenho certeza de que um sapo ou algo do gênero usava o oi boi pra cumprimentar alguém e, principalmente, tenho certeza de que foi escrito por Walmir Ayala. Olhando a bibliografia do escritor, A toca da coruja parece o livro mais adequado a esse monte de bizarrices.

Se não for o mesmo livro, porém, não tenho o que fazer a não ser dar por encerrada essa busca de décadas. Mas ainda tenho outros tesouros infantis pra tentar encontrar. Um deles misturava texto e história em quadrinhos; tinha um menino, um submarino que navegava pelos subterrâneos de São Paulo e depois emergia próximo do Minhocão. Eu me lembro das ilustrações e me lembro do clima, um tanto melancólico. Mais, não sei. Nem mesmo o nome do autor.

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