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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Vintage Sacks

Vintage Sacks
Oliver Sacks (Vintage Books, 2004)

Um pot-pourri de Oliver Sacks só não é melhor porque me faz pensar no quanto eu ainda quero ler desse homem e aí baixa a depressão de saber que não, eu não vou conseguir ler tudo o que ainda quero ler na vida. Para ficar só nele: Alucinações musicais, O homem que confundiu sua mulher com um chapéu, Tio Tungstênio - e talvez A ilha dos daltônicos e Vendo vozes, porque há intrigantes capítulos de ambos nessa pequena coletânea de textos extraída de diversos livros do médico.

Eis aqui o triste relato da doença de Rose R., que "acordou" de uma encefalite letárgica depois de 43 anos (de Tempo de Despertar). A história do dr. Bennett, um cirurgião do Canadá que convive com a Síndrome de Tourette e, mesmo assim, segue operando sem problemas (de Um antropólogo em Marte). A conclusão de que as visões e alucinações de uma freira do século 12 não passavam de sintomas de enxaqueca (de Enxaqueca). E, bem bacanas, as experiências científicas que o pequeno Oliver Sacks fazia em família, e que depois o levaram à neurologia (de Tio Tungstênio).

Do capítulo sobre o dr. Bennett: Any disease introduces a doubleness into life - an "it", with its own needs, demands, limitations.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

O que Einstein disse a seu cozinheiro

O que Einstein disse a seu cozinheiro
Robert L. Wolke (Jorge Zahar, 2003)

Quem gosta de cozinhar muitas vezes acaba se interessando por algumas coisas bizarras. Os usos e o modo de fazer manteiga clarificada, por exemplo, que aprendi em livros de cozinha indiana. A diferença entre os tipos de chá, preto, verde e oolong - tem quem olhe com desconfiança ao saber que eles vêm todos da mesma planta; o que muda é a maneira de fermentação. Quando usar fermento em pó, quando usar bicarbonato de sódio (essa eu acho que minha avó sabia. Eu não).

Em forma de perguntas e respostas, Robert L. Wolke trata de curiosidades como essas e de vários outros assuntos mais sérios: qual é o problema de usar metais no forno de micro-ondas? A panela de pressão é mesmo segura? Existe diferença entre usar sal marinho e sal comum? Verdade que, muitas vezes, as explicações são bem científicas, o que faz a gente ficar com raiva de ter pulado aquelas aulas de física e química no colégio. Mesmo assim, Wolke faz de tudo pros leitores entenderem. E, de quebra, ainda dá uma receitinha aqui, outra ali, pra mostrar, na prática, o que acabou de ensinar.

domingo, 4 de janeiro de 2009

O homem que calculava

O homem que calculava
Malba Tahan (Record, 2001)

Lendo hoje o G1, vi uma lista feita por Paulo Coelho com seis indicações de livros para 2009: tirando um Castaneda e a capa horrorosa do Khalil Gibran, era bem interessante - As mil e uma noites, 1984, Trópico de Câncer e esse O homem que calculava, que li emprestado de uns primos na pré-adolescência (e que, pensando agora, acho que nunca devolvi). Mais ou menos por aquela época eu havia lido uma história de príncipes, princesas e djins (e que adoraria encontrar de novo se ao menos eu me lembrasse o nome dela), então estava propensa a livros sobre as Arábias.

A primeira surpresa foi encontrar não aventuras geniais, e sim as inteligentes soluções de um matemático para problemas aparentemente insolúveis - eu me lembro direitinho de um caso que envolvia a divisão de 17 camelos entre 3 irmãos. A segunda surpresa apareceu anos depois, quando eu descobri que Malba Tahan não era nenhum árabe contador de episódios milenares, e sim um brasileiro, o professor de matemática Júlio César de Melo e Sousa. Fui agora conferir seu nome no Google e achei um comentário de Monteiro Lobato que define a obra direitinho: "... ficará a salvo das vassouradas do Tempo como a melhor expressão do binômio ‘ciência-imaginação." Falou e disse.

domingo, 13 de julho de 2008

Enxaqueca

Enxaqueca
Oliver Sacks (Companhia das Letras, 1996)

Uma vez eu fui à oftalmologista porque estava vendo umas bolinhas pretas que começavam no canto inferior esquerdo do meu raio de visão e iam subindo numa diagonal meio circular até desaparecerem um pouco acima do meu nariz. A médica olhou, olhou, fez mil exames e não descobriu nada de errado com os meus olhos (ainda bem; tenho pânico de que aconteça alguma coisa com os meus olhos).

Ano passado, ao ler esse Oliver Sacks, descobri que eu não estava ficando louca, apesar do olhar desconfiado da médica: quem sofre de enxaqueca, como eu, realmente pode detectar alguns objetos não identificados em seu campo de visão - e não é preciso estar com a cabeça estourando de dor para isso. De uma maneira meio mórbida, é reconfortante ler sobre o mal que me aflige. Sei que não sou a única. E, como disse Oliver Sacks, para meu espanto e desânimo, o bom da enxaqueca é que ela não mata. O ruim é que não tem cura.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Uma breve história de quase tudo

Uma breve história de quase tudo
Bill Bryson (Companhia das Letras, 2005)

Gente que escreve sobre ciência de maneira compreensível merece uma mesura. Não é fácil tratar de geologia, física, química e biologia - pra ficar apenas nas matérias que estudamos na escola - de um jeito atraente e interessante. Na maioria das vezes, ou fica didático e besta ou fica teórico e cabeça demais. Daí a vantagem de Bill Bryson não ser cientista, e sim um escritor e jornalista muito curioso.

Este seu livro surgiu de uma pergunta aparentemente prosaica: por que os oceanos são salgados? Para respondê-la, Bryson começou a pesquisar e ler sobre a origem do mundo, o universo, a vida e uma série de outros temas sobre os quais, para nossa sorte, ele tratou em uma linguagem que ficou no meio termo ideal entre o didático e o cabeça. Fala da idade da Terra e dos seres humanos, dá uma idéia da imensidão do universo (admito: foi só com este livro que eu pude ter noção da vastidão em que estamos imersos) e trata de geologia em termos curiosos (acho que só eu não sabia que o parque Yellowstone, nos Estados Unidos, fica em cima de um vulcão extinto). Deixa-se Uma breve história de quase tudo querendo saber muito mais sobre quase tudo. Pena que poucos consigam escrever a respeito de maneira tão agradável.