Chico Buarque (Companhia das Letras, 2003)
Li Budapeste durante um vôo de Montevidéu a São Paulo, com escala em Buenos Aires, numa solitária e gripada noite de domingo. Por gostar tanto do Chico cantor-compositor, nunca tive coragem de ler um de seus livros anteriores - as referências não eram nada animadoras. Mas nessa noite fria, em junho de 2004, eu tinha um motivo pra encarar o mais recente rebento buarquiano: Chico participaria da Flip, em julho, ao lado do meu ídolo Paul Auster. Nada mais justo que ler o livro para acompanhar a conversa dos dois (Noite do Oráculo, o sensacional livro de Auster lançado na mesma época, fica para outro post).
E eu me surpreendi. Budapeste é bom. Tem alguns senões - fiquei muito incomodada com a estrutura repetitiva, Hungria-Kriska-Rio-Vanda-Hungria-Kriska, etc -, mas superou em muito a minha expectativa, a idéia de que ia encontrar um livro hermético e tentativamente poético. Ao contrário, é leve e muito divertido. Dá até pra imaginar um sorrisinho de Chico Buarque elaborando as frases frente ao computador, divertindo-se na arte de escrever. Além dele, outro artista merece crédito: Raul Loureiro, autor da deliciosa capa (um trecho do livro na frente, o mesmo trecho em "linguagem de espelho" no verso) e do primoroso projeto gráfico.







