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segunda-feira, 6 de julho de 2009

Eles foram para Petrópolis

Eles foram para Petrópolis
Ivan Lessa e Mario Sergio Conti (Companhia das Letras, 2009)

Eu tinha um objetivo ao começar a ler este livro: encontrar o trecho em que Ivan Lessa ou Mario Sergio Conti, não sei qual deles, lembra ao outro de uma fita cassete com catorze gravações de I'm thru with love, que o acompanhara numa viagem de carro. Li essa história quando os dois eram titulares da coluna Correspondência, no Uol, em 2000/2001 - o livro nada mais é do que uma reunião dos emails trocados entre eles naquela época, tanto os que foram publicados na coluna quanto os particulares, em que ambos discutem assuntos familiares e reclamam que o pagamento ainda não caiu.

Sinceramente, não sei como o livro pode interessar a quem não é jornalista, não conhece um dos dois missivistas ou não quer descobrir o trecho sobre as gravações de I'm thru with love, música que eu adoro e que passei a colecionar. Eu gostei, achei divertido, leitura leve e esquecível com opiniões que se pretendiam polêmicas (pra dar audiência) a respeito de cinema, música e literatura, algumas invenções, alguns bastidores da morte da mãe de Lessa, Elsie, e da produção de uma reportagem de Mario Sergio Conti sobre uma turnê de João Gilberto na Europa.

Só não está lá a história de I'm thru with love. E acho difícil ter lido sobre isso em algum outro lugar, porque desde então fiquei obcecada em conseguir, também eu, catorze gravações da música. Como nunca li as colunas de Ivan Lessa na BBC e MSC começou a escrever no saudoso nominimo.com bem depois de minha obsessão já estar em andamento, só pode ter sido na Correspondência. Queria saber qual dos dois gravou a fita e deu de presente para o outro. Queria saber que gravações ela continha.

Porque eu, este ano, finalmente consegui completar minha coleção - graças, principalmente, a R., pra quem mandei um email raivoso, mas de quem não consigo sentir raiva. Ultrapassei Ivan Lessa e Mario Sergio Conti em três gravações. Tenho Bing Crosby, Delicatessen, Keith Jarret, Little' Jimmy Scott, Marilyn Monroe, Mark Murphy, Nat King Cole, Chuck Berry, Barney Kessel, Chet Baker, Dinah Washington, Ella Fitzgerald, Jack Lemmon, Matt Dennis, Goldie Hawn e Woody Allen. Como várias dessas versões são mais recentes que a Correspondência, porém, ainda sinto que eles tinham algumas gravações que eu não tenho.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Love letters

Love letters
Organizado por Antonia Fraser (Crescent Books, 1995)

Eu me lembro direitinho do dia em que comprei esse livro, há mais de dez anos: a livraria que já não existe mais, o homem que estava comigo, o casaco que eu vestia, a temperatura que fazia lá fora. Um pouco antes eu tinha visto Carrington, um filme belo, chato e triste que conta a história do amor entre a pintora Dora Carrington, vivida por Emma Thompson, e o escritor homossexual Lytton Strachey. Até hoje acho que são deles as cartas mais tocantes desse livro, incluídas no capítulo Total Love. (Há vários outros, como Declarations, Pleas, Jealousies, Separations e Farewells, com a troca de correspondência entre James Joyce e Nora Barnacle, Zelda e F. Scott Fitzgerald, Napoleão e Josefina, Henrique VIII e Ana Bolena...)

De certa maneira, eu encontrei num trecho da carta de Lytton a descrição do que havia se tornado o sentimento daquele homem por mim - com a diferença de que ele não era, não é, gay. Doeu. Durante muito tempo, eu chorei ao ler as palavras de Lytton Strachey, principalmente as frases que destaquei abaixo. Mas, como o tempo cura tudo, hoje elas provocam em mim apenas um sorriso de felicidade. Porque apesar de tantos fatores contrários, meu amor também pôde evoluir e se transformar no amor mais verdadeiro que existe, o da amizade. E permanece vivo até hoje.

(...) Oh, my dear, do you really want me to tell you that I "love you as a friend"? But of course this is absurd, and you do know very well that I love you as something more than a friend, your angelic creature, whose goodness to me has made me happy for years, and whose presence in my life has been, and always will be, one of the most important things in it. Your letter made me cry. I feel a poor old miserable creature, and I may have brought more unhappiness to you than anything else. I only pray that it is not so, and that my love for you, even though is not what you desire, may yet make our relationship a blessing to you - as it has been to me. Remember that I too have never had my moon! We are all helpless in these things - dreadfully helpless. (...)