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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Quadrinhos Celton

Quadrinhos Celton
Lacarmélio (edição do autor, 2009)

Eu não sou muito chegada em quadrinhos - teve uma época em que eu gostava muito do Batman, mas acho que aqui no blog abri apenas uma exceção, para as tirinhas do Calvin. Só que foi impossível resistir à obra de Lacarmélio, um sujeito que percorre as ruas de Belo Horizonte vestido num reluzente terno amarelo e carregando um imenso estandarte que apregoa sua obra. "Estou vendendo revistas em quadrinhos que eu mesmo fiz", diz a placa. No anúncio, custa R$ 3; Lacarmélio vende por R$ 2.

Na última sexta-feira, cruzei com Lacarmélio subindo e descendo a rua Sergipe, na Savassi, enquanto vendia a edição número 22 dos quadrinhos de Celton, o personagem que criou. Título: O combate da sogra com o capeta (infelizmente, estou sem scanner e não achei a imagem para colocar aqui; é o desenho de uma mulher armada com uma vassoura brigando com o demônio e seu tridente). Logo na primeira página está o crédito: "História, esboços, desenhos, arte-final, pesquisas, computação gráfica, diagramação final, vendas nas ruas e erros que são muitos: Lacarmélio A. Araújo".

A trama é fraquinha. Mesmo assim, fiquei curiosa pra ver outras de suas edições, como a que trata da construção de BH e as histórias baseadas em lendas urbanas da cidade. Porque ver Lacarmélio em ação, ler as "cartas dos leitores" que ele edita nas revistinhas e saber - a se acreditar no expediente da publicação - que o cara faz tudo sozinho, com dinheiro do próprio bolso, foi muito importante pra mim num momento em que eu não estava acreditando em quase mais nada.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Calvin e Haroldo - Tem alguma coisa babando embaixo da cama

Calvin e Haroldo - Tem alguma coisa babando embaixo da cama
Bill Watterson (Conrad do Brasil, 2008)

Por muito tempo, eu tive medo de viajar de avião. (Hoje, pelo menos, o kit "comprimidos tarja-preta/máscara de olhos /travesseiro de pescoço /protetores de ouvido" garante uma noite tranqüila e sem preocupações durante o vôo.) E, por todo esse tempo, uma das poucas coisas que desviavam minha atenção de todo barulho suspeito, aviso do piloto e luzes sinistras eram os livros de Calvin e Haroldo. Até na pior situação dá pra achar graça nas tirinhas do moleque e seu tigre de estimação.

Calvin acredita que seu bicho de pelúcia é de verdade, tem medo dos monstros debaixo da cama, faz constantes pesquisas de aprovação sobre o comportamento do pai e deixa a mãe doida - em resumo, aproveita a vida de uma criança de 6 anos que, além de inteligente, é criativa pra caramba. Um adorável pestinha e seu invejável melhor amigo, ambos cheios de tiradas filosóficas melhores que muito livro adulto circulando por aí.